Eu sei que este blog foi feito para falar de poesia. É quase uma infracção falar de outra coisa que não seja disso mas...
Lá vêm os "mas"...
Tenho que dizer que nunca como hoje senti vergonha de ser português. Uma anónima e perversa agência de "rating" escreveu hoje que "Portugal estava no bom caminho, mas devido à instabilidade política, baixou dois níveis na confiança dos empréstimos".
O quê? Estavamos no bom caminho (equilibrando-nos numa corda instável) e abrimos uma crise política que desbarata a pouca confiança que ainda tinham em nós? Que políticos são estes que descaradamente preferem "ir ao pote" do que salvar os salários, as pensões, a riqueza e o país? Com que cara vou ao estrangeiro e dizer "Sou português!"?
Hoje sinto vergonha de ser representado por políticos gananciosos, estúpidos e patriotas hipócritas. QUE VERGONHA!!!
terça-feira, 29 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
domingo, 27 de março de 2011
Guimarães e as Cabras
Saiu nos jornais de ontem esta formidável e criativíssima notícia: Guimarães, Capital Europeia da Cultura 2012, vai usar cabras para aparar as relva e para limpar os espaços públicos. Como é que ninguém se tinha lembrado disto antes?
Mas... (Ah... os mas...)
Um dos argumentos que foi mais convincentes para a disseminação do automóvel foi o seu carácter anti-poluidor. Imaginem, quando se viam as ruas cobertas de bosta de cavalo, de burro e de boi, o "limpíssimo" que o automóvel pareceu aos nossos antepassados... Passados 100 anos o automóvel alcandorou-se em "poluidor mor".
Está-se a ver a relação: se as cabras aparam a relva e comem o lixo, quem é vai apanhar a "poluição mérdica" que elas vão deixar pelo caminho? (Será que vão com uma fralda que diz "Guimarães - Lugar da Cultura 2012"?
as cabras
trocam o lixo da rua ~
qual era o melhor?
Mas... (Ah... os mas...)
Um dos argumentos que foi mais convincentes para a disseminação do automóvel foi o seu carácter anti-poluidor. Imaginem, quando se viam as ruas cobertas de bosta de cavalo, de burro e de boi, o "limpíssimo" que o automóvel pareceu aos nossos antepassados... Passados 100 anos o automóvel alcandorou-se em "poluidor mor".
Está-se a ver a relação: se as cabras aparam a relva e comem o lixo, quem é vai apanhar a "poluição mérdica" que elas vão deixar pelo caminho? (Será que vão com uma fralda que diz "Guimarães - Lugar da Cultura 2012"?
as cabras
trocam o lixo da rua ~
qual era o melhor?
quinta-feira, 24 de março de 2011
Workshop de Haiku
Fiz na semana passada um workshop sobre poesia haiku no Instituto de Odivelas. Tudo correu naquele ambiente que nos redobra a confiança no presente e no futuro.
O grupo das alunas (ver foto) revelou-se interessadíssimo e, convidadas a escrever um haiku, só nos presentearam com excelentes textos. A Profa Carmo Dias foi a desencadeadora do processo que teve também a presença de outros professores.
Obrigado pelo convite!
E fica a lembrança:
em Odivelas
os brotos da Primavera
são vermelhos,
terça-feira, 22 de março de 2011
100 anos da Universidade
Alguns haiku que escrevi depois de assistir à cerimónia comemorativa dos 100 anos da Universidade de Lisboa:
rola pelo corredor
uma cascata de música
e risos de criancas.
cem anos
e a oliveira só pensa
na Primavera.
o rio encontra
guiado só pelo seu peso
outras águas.
chegar aqui
foi um caminho -
nem mais nem menos.
e a minha vida?
valeu a pena?
Disseram que sim!!!
tardinha:
- Dormimos aqui
ou chegamos?
rola pelo corredor
uma cascata de música
e risos de criancas.
cem anos
e a oliveira só pensa
na Primavera.
o rio encontra
guiado só pelo seu peso
outras águas.
chegar aqui
foi um caminho -
nem mais nem menos.
e a minha vida?
valeu a pena?
Disseram que sim!!!
tardinha:
- Dormimos aqui
ou chegamos?
domingo, 20 de março de 2011
Os protagonistas
Nem sempre são as pessoas mais indicadas, com melhores condições aquelas que encabeçam e sustentam iniciativas de inovação. Muitas vezes o que deve ser feito é iniciado e consumado por pessoas que parecem à partida ser absolutamente incapazes de empreender as tarefas e missões em que se comprometem.
Processos humanos desenvolvidos por humanos... a perfeição é um ponto lá longe... para onde caminhamos.
levantou-se o cego:
- Está a chegar a noite,
vou acender a luz.
ou
cai a noite -
o cego levanta-se
para acender a luz.
ou ainda...
foi o cego
que lembrou que era preciso
a acender a luz.
Processos humanos desenvolvidos por humanos... a perfeição é um ponto lá longe... para onde caminhamos.
levantou-se o cego:
- Está a chegar a noite,
vou acender a luz.
ou
cai a noite -
o cego levanta-se
para acender a luz.
ou ainda...
foi o cego
que lembrou que era preciso
a acender a luz.
sábado, 19 de março de 2011
Salamanca
Lua maior
na Plaza Mayor -
só eu ainda pequeno.
no dia do pai
a grande lua
parece mais mae.
tanto luar!
as fachadas douradas
debruadas a negro.
Deus è grande demais
para caber
nas enormes catedrais.
sem folhas
as árvores da Primavera:
só flores.
mesmo quem ganha a paz
pinta com sangue
o "victor" de vencedor.
na Plaza Mayor -
só eu ainda pequeno.
no dia do pai
a grande lua
parece mais mae.
tanto luar!
as fachadas douradas
debruadas a negro.
Deus è grande demais
para caber
nas enormes catedrais.
sem folhas
as árvores da Primavera:
só flores.
mesmo quem ganha a paz
pinta com sangue
o "victor" de vencedor.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Odivelas
as filhas dos samurais
fazem versos de paz -
chega a Primavera.
o anjo de azulejo
ri-se com o teatro
das raparigas.
um computador
na sala gótica -
ah.. o tempo...
as arcadas
desenham gomos de sol
nas amrelinhas.
Agnus Dei à porta -
o único juvenil
entre os santos velhos.
pela janela
entram com o sol
os gritos do recreio.
olhos adolescentes
navegam para longe -
à palavra "paixão".
fazem versos de paz -
chega a Primavera.
o anjo de azulejo
ri-se com o teatro
das raparigas.
um computador
na sala gótica -
ah.. o tempo...
as arcadas
desenham gomos de sol
nas amrelinhas.
Agnus Dei à porta -
o único juvenil
entre os santos velhos.
pela janela
entram com o sol
os gritos do recreio.
olhos adolescentes
navegam para longe -
à palavra "paixão".
domingo, 13 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Japão, hoje.
tudo treme
economia, tu, eu -
e agora a Terra...
o ronco da terra -
os senhores são só poeira
na crosta.
rolam as placas
para ficarem mais firmes -
óbvio!
ainda acesa
tremeu a faúlha -
(não estava apagada?)
economia, tu, eu -
e agora a Terra...
o ronco da terra -
os senhores são só poeira
na crosta.
rolam as placas
para ficarem mais firmes -
óbvio!
ainda acesa
tremeu a faúlha -
(não estava apagada?)
terça-feira, 8 de março de 2011
Algo se perde...
as águas do rio
separam-se para sempre
no delta.
bem guardada
a caneta Mont Blanc
junto às que perdi.
separam-se para sempre
no delta.
bem guardada
a caneta Mont Blanc
junto às que perdi.
sábado, 5 de março de 2011
Vida: "mode d'emploi".
Sabes meu rapaz:
Pra não andares aos "ais"
faz o que és capaz,
nem menos nem mais.
Mas...
o mais difícil
nesta vida
é saber qual
é a medida.
Pra não andares aos "ais"
faz o que és capaz,
nem menos nem mais.
Mas...
o mais difícil
nesta vida
é saber qual
é a medida.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Categoria
É muito interessante esta palavra: "categoria".
Originalmente parece ter o significado de designar um grupo com características iguais. Todos os que estão dentro da mesma categoria são iguais entre si e diferentes dos que estão em qualquer outra categoria.
Mas tem também o significado de pertencer a um grupo seleccionado, de elite, enquanto outros não têm esse pervilégio. "Aquele tipo tem muita categoria. O outro? Não tem categoria nenhuma...".
As categorias estão no âmago da discriminação sobretudo quando, pela sua própria natureza, não vêem as óbvias continuidades entre o que está fora e o que está dentro. (Falamos de gente, claro!) ...
Já que
deitamos fora a
solidariedade,
a justiça e
a inclusão
(o amor foi junto...)
criamos categorias
para ver
os pobres,
os deficientes,
os idosos, (...)
Ah... assim já os vemos
e podemos
ter assegurar-nos
que eles ficam
lá... no seu lugar.
procurei um alvo
só então vi
o tronco da árvore.
Originalmente parece ter o significado de designar um grupo com características iguais. Todos os que estão dentro da mesma categoria são iguais entre si e diferentes dos que estão em qualquer outra categoria.
Mas tem também o significado de pertencer a um grupo seleccionado, de elite, enquanto outros não têm esse pervilégio. "Aquele tipo tem muita categoria. O outro? Não tem categoria nenhuma...".
As categorias estão no âmago da discriminação sobretudo quando, pela sua própria natureza, não vêem as óbvias continuidades entre o que está fora e o que está dentro. (Falamos de gente, claro!) ...
Já que
deitamos fora a
solidariedade,
a justiça e
a inclusão
(o amor foi junto...)
criamos categorias
para ver
os pobres,
os deficientes,
os idosos, (...)
Ah... assim já os vemos
e podemos
ter assegurar-nos
que eles ficam
lá... no seu lugar.
procurei um alvo
só então vi
o tronco da árvore.
quarta-feira, 2 de março de 2011
31 de Março no Grémio Literário (18h00)
Neste dia (ver título) vai-se realizar a apresentação do livro "De Frente para o Mar". A entrada é livre mas precisamos de ter uma estimativa do número de participantes. Podem deixar uma mensagem sobre este assunto nos "comentários" a este post.
Nesta apresentação estarão presentes a maioria dos autores que lerão os seus haiku e dirão certamente algumas palavras sobre o seu processo de criação.
Dia 31 de Março é um grande dia para a divulgação do haiku em Portugal. Divulguem, apareçam e tragam amigos.
Nesta apresentação estarão presentes a maioria dos autores que lerão os seus haiku e dirão certamente algumas palavras sobre o seu processo de criação.
Dia 31 de Março é um grande dia para a divulgação do haiku em Portugal. Divulguem, apareçam e tragam amigos.
Singularidades
O que é que está certo (porque é "da nossa natureza") e o que é que está incompleto (o que falta à nossa natureza)? O que é um estilo e o que é um defeito? O que é que temos de conservar e o que é que temos de mudar?
Tantas questões que desafiam o conhecimento da Psicologia, da Educação, da Ética, enfim de todo o conhecimento que se (pre)ocupa com o humano.
Dois tercetos "haikulike":
qualquer adjectivo
junto de "natureza" -
dá mau haiku.
parecem-me tortos
alguns ramos da árvore:
fotografo ou podo?
Tantas questões que desafiam o conhecimento da Psicologia, da Educação, da Ética, enfim de todo o conhecimento que se (pre)ocupa com o humano.
Dois tercetos "haikulike":
qualquer adjectivo
junto de "natureza" -
dá mau haiku.
parecem-me tortos
alguns ramos da árvore:
fotografo ou podo?
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Insistente Aprendiz
Nelson Savioli um conhecido e qualificado haijin do Brasil, acaba de editar o livro "Insistente Aprendiz" (Qualitymark Editora, 2010).
É um livro para se acariciar bem na palma da mão de tão útil e sensível que é: útil porque para além das poesias apresenta textos de grande valia para entender a confecção de um haiku, sensível porque o autor escreve poemas de finíssimo recorte e em que a discrição, a leveza e o recato estão sempre presentes.
Parabéns Nelson! E continue a aprender que só pode ensinar quem aprende.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
World Haiku 2011
Acabou de me chegar à mãos vindo do Japão a antologia "World Haiku 2011" editada por Ban'ya Natsuishi e publicada pela World Haiku Association. Como se diz na capa é uma vibrante prova da vitalidade do haiku uma vez que publica poesia de 181 poetas de 41 países do mundo.
41 países entre os quais Portugal. Nesta antologia para além de mim há poesias de Leonilda Alfarrobinha, Casimiro de Brito e de Lucília Saraiva.
Deixo aqui um haiku destes três mosqueteiros (que afinal são quatro, tal como na história de Dumas):
entre a blusa e a pele
a lua e a mão -
ambas cheias
between the blouse and the skin
the moon and the hand -
both full.
David Rodrigues
na palma da mão
o peso de uma laranja -
nasce a madrugada.
in the palm of my hand
the weight of an orange -
dawn's birth
Leonilda Alfarrobinha
Lua cheia.
Cuidado com as unhas,
podes rebentá-la.
Full Moon.
Watch your nails
You can bust it.
Casimiro de Brito
Chuva e vento
numa dança lenta
as gaivotas seduzem o mar
Pluie et vent -
dans une danse lente,
les mouettes séduisent la mer
Lucília Saraiva
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Ainda a neve
charrete turística -
atrás dela o Porsche
só com um cavalo.
turistic carriage -
behind it the Porsche
with a single horse.
um avião -
uma luz voa
as outras ficam.
an airplane -
a light flies away
the others stay.
não ouço passos
ouço o silêncio entre eles.
Ah, a neve!
I don't hear steps
only the silence between them
Ah, the snow.
atrás dela o Porsche
só com um cavalo.
turistic carriage -
behind it the Porsche
with a single horse.
um avião -
uma luz voa
as outras ficam.
an airplane -
a light flies away
the others stay.
não ouço passos
ouço o silêncio entre eles.
Ah, a neve!
I don't hear steps
only the silence between them
Ah, the snow.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
"Fabricação" de um haiku
Alguns amigos têm-se mostrado incrédulos sobre a possibilidade de resumir um texto longo num haiku. Eu não diria que TODOS os textos se podem resumir a haiku. Longe disso: acho que cada texto tem a sua forma e o haiku não é a mais perfeita delas - é uma mais.
Mas também é certo que me acontece (realço a primeira pessoa do singular) gostar de reduzir textos a haiku. Compartilho uma destas experiências:
Estou numa estância de desportos de Inverno para umas curtas férias e ontem escrevi o seguinte texto:
queria que o silêncio
se colasse aos meus passos
e que, ao olhar para trás,
não visse as minhas pegadas
nem à frente
se me acenassem destinos.
Só a neve.
Como se eu tivesse caído do céu
e dali só saísse
sugado por ele.
Hoje, procurei fazer um haiku a partir deste texto. Eis o resultado:
no meio da neve,
sem pegadas nem destinos
olho o céu.
Que acham?
Mas também é certo que me acontece (realço a primeira pessoa do singular) gostar de reduzir textos a haiku. Compartilho uma destas experiências:
Estou numa estância de desportos de Inverno para umas curtas férias e ontem escrevi o seguinte texto:
queria que o silêncio
se colasse aos meus passos
e que, ao olhar para trás,
não visse as minhas pegadas
nem à frente
se me acenassem destinos.
Só a neve.
Como se eu tivesse caído do céu
e dali só saísse
sugado por ele.
Hoje, procurei fazer um haiku a partir deste texto. Eis o resultado:
no meio da neve,
sem pegadas nem destinos
olho o céu.
Que acham?
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Haiku da neve
uma bola de neve
soltou-se do Monte Branco -
Ah... a Lua.
"skieur" principiante:
- Se soubesse andar de ski
não me agarrava a ti.
neve fofa ~
a leveza esmagada
pelas botas.
é para onde se olha
que vamos -
como sempre.
o teu destino
é para o lado
que tens menos peso.
rente à neve
voa uma gaivota
(ou um esquiador?)
soltou-se do Monte Branco -
Ah... a Lua.
"skieur" principiante:
- Se soubesse andar de ski
não me agarrava a ti.
neve fofa ~
a leveza esmagada
pelas botas.
é para onde se olha
que vamos -
como sempre.
o teu destino
é para o lado
que tens menos peso.
rente à neve
voa uma gaivota
(ou um esquiador?)
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Should I stay or should I go?
seguro as calças
nas pernas abertas
aperto a camisa.
digo à camisa:
- Passa o dia comigo,
quem sabe à noite...
couves amarelas -
porque não chegaram
à panela?
nas pernas abertas
aperto a camisa.
digo à camisa:
- Passa o dia comigo,
quem sabe à noite...
couves amarelas -
porque não chegaram
à panela?
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Recato
Faz-te mula,pá!
Sempre de novas:
- Ai sim? A sério? Não acredito!
Unta-te com o óleo fino do recato
Diz muitos "talvez", "vamos ver"...
Só debaixo do lençol
abre a boca muda para gritar "yes".
Faz-te mula!
Se andares a bater o badalo
mostras mais do que és.
(És um exagerado!)
Eu sei que és humilde mas
encena a humildade.
É bom pra toda a gente:
não tentas os outros para o Inferno
e se calhar até tu escapas...
Faz-te mula! Faz-te mula, pá!
Sempre de novas:
- Ai sim? A sério? Não acredito!
Unta-te com o óleo fino do recato
Diz muitos "talvez", "vamos ver"...
Só debaixo do lençol
abre a boca muda para gritar "yes".
Faz-te mula!
Se andares a bater o badalo
mostras mais do que és.
(És um exagerado!)
Eu sei que és humilde mas
encena a humildade.
É bom pra toda a gente:
não tentas os outros para o Inferno
e se calhar até tu escapas...
Faz-te mula! Faz-te mula, pá!
Sol
o sol de inverno
entra pela janela -
e o gato?
gardénia indecisa
entre o sol de inverno
e os dois graus.
passa um avião:
uma luz voa para o céu -
as outras ficam.
entra pela janela -
e o gato?
gardénia indecisa
entre o sol de inverno
e os dois graus.
passa um avião:
uma luz voa para o céu -
as outras ficam.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
TNT - "Tento na Tecla"
Uma pessoa que muito considero, pessoal e literáriamente, fez uma critica muito desfarorável a este blog. Segundo esta opinião este blog "usa um péssimo português que mais se assemelha a um criolo do que à língua de Camões".
E sabem que eu concordo, pelo menos em parte: quase sempre não tenho tempo, mesmo para reler o que, num impulso entre compromissos profissionais me "apetece" escrever. Assim há falta de virgulas, erros de dactilografia, frases mal construídas, etc. etc. Isto para já não falar na qualidade das ideias...
Agradeço a crítica e vou tomar mais cuidado.
E o que é que eu alego em "minha defesa"? Quase nada. Mas talvez e só, o carácter espontâneo da escrita, o escrever como se pensa e como se fala sem esculpir e rever a frase. Procurar um pouco do perfume de espontaneidade do "haiku" mesmo quando se escreve em prosa.
É isto. E não é novidade! Os meus poucos leitores sabem, desde que leram os meus primeiros posts, que eu pertenço à APII (Associação dos Pequenos e Ínfimos Intelectuais). Portanto nada de esperar grandes coisas...
E sabem que eu concordo, pelo menos em parte: quase sempre não tenho tempo, mesmo para reler o que, num impulso entre compromissos profissionais me "apetece" escrever. Assim há falta de virgulas, erros de dactilografia, frases mal construídas, etc. etc. Isto para já não falar na qualidade das ideias...
Agradeço a crítica e vou tomar mais cuidado.
E o que é que eu alego em "minha defesa"? Quase nada. Mas talvez e só, o carácter espontâneo da escrita, o escrever como se pensa e como se fala sem esculpir e rever a frase. Procurar um pouco do perfume de espontaneidade do "haiku" mesmo quando se escreve em prosa.
É isto. E não é novidade! Os meus poucos leitores sabem, desde que leram os meus primeiros posts, que eu pertenço à APII (Associação dos Pequenos e Ínfimos Intelectuais). Portanto nada de esperar grandes coisas...
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Kepler - 11a
Foi descoberta uma estrela com este nome: Kepler- 11a. Está a 2000 anos luz da Terra e que tem, gravitando à sua volta, seis planetas.
Aposto que pelo menos num deles não há as misérias que afectam o terceiro calhau a contar do Sol... É uma forma de transcendência a "astrocendência": como o número de planetas é infinito, o bem matemáticamente existe (o mal também)
será esta a estrela
que tem o bom planeta?
- Olha de novo!
Aposto que pelo menos num deles não há as misérias que afectam o terceiro calhau a contar do Sol... É uma forma de transcendência a "astrocendência": como o número de planetas é infinito, o bem matemáticamente existe (o mal também)
será esta a estrela
que tem o bom planeta?
- Olha de novo!
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
domingo, 30 de janeiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Publish!
Acho que os universitários nunca tiveram tanta pressão para publicar trabalhos científicos. Nunca foi tão verdadeira a máxima "Publish or Parish" (Tradução: "Ou publicas ou morres"). É a escolha.
A minha é:
Publish or Parish!
(I prefer Parish
speciallysh in Spring)
A minha é:
Publish or Parish!
(I prefer Parish
speciallysh in Spring)
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Ambiguidades
luzes, perfumes,
música e glamour -
mas aquelas meias...
só quebra o escuro
a brisa do suspiro
pelo meu pescoço.
música e glamour -
mas aquelas meias...
só quebra o escuro
a brisa do suspiro
pelo meu pescoço.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Mais três de Inverno
está decidido!
Por acima do aquecedor
o ar treme.
núvens com sombra -
hoje o céu
imita Margerite.
folhas secas -
o silêncio vem comigo
mas entre os passos.
Por acima do aquecedor
o ar treme.
núvens com sombra -
hoje o céu
imita Margerite.
folhas secas -
o silêncio vem comigo
mas entre os passos.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
O normal e o terapêutico
Retomo um pensamento de Nélson Mendes - meu excelente professor de há muitas décadas - sobre o que é normal e terapêutico: para uma planta a água é normal ou terapêutica?
Diria eu: o normal torna-se terapêutico quando o normal não funciona. O riso é terapêutico para quem não ri mas o natural é que ele existisse sempre na nossa vida; uma tarde sem pensar no trabalho é terapêutica porque o trabalho tomou a nossa vida de tal maneira que já não é normal não pensar no trabalho... E quando falta o saudável, o normal, o natural, então o que devia ser natural torna-se terapêutico. Tudo o que faz bem, tudo o que é terapêutico não devia, nunca, de ter saído da nossa vida
a planta
toma água
por receita médica.
Diria eu: o normal torna-se terapêutico quando o normal não funciona. O riso é terapêutico para quem não ri mas o natural é que ele existisse sempre na nossa vida; uma tarde sem pensar no trabalho é terapêutica porque o trabalho tomou a nossa vida de tal maneira que já não é normal não pensar no trabalho... E quando falta o saudável, o normal, o natural, então o que devia ser natural torna-se terapêutico. Tudo o que faz bem, tudo o que é terapêutico não devia, nunca, de ter saído da nossa vida
a planta
toma água
por receita médica.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
3 haiku
cheguei
à manhã de um novo dia -
agora é partir.
frondoso pinheiro:
toda a vida lhe bastou
a terra e a água.
o plátano e eu
à espera da Primvera -
um nú, outro vestido.
à manhã de um novo dia -
agora é partir.
frondoso pinheiro:
toda a vida lhe bastou
a terra e a água.
o plátano e eu
à espera da Primvera -
um nú, outro vestido.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Chão dos Pinheirais
O poeta José Marins, teve a amabilidade de me enviar a antologia de Haicai editada pelo Grémio de Haicai "Chão dos Pinheirais" (Irati, Paraná, Brasil). Trata-se de uma antologia organizada por Dorotéia Miskalo, José Maria Orreda e Tereko Oda.
Para além de poetas adultos esta antologia inclui também poemas de crianças e jovens. Trata-se de uma antologia intergeneracional e assim proporciona um encontro que talvez só a poesia haicai seja capaz de fazer: juntar diferentes gerações numa base de efectiva igualdade.
Na capa lê-se:
Entre seus morros
Caminham centenas de sonhos
Cidade de Irati.
Parabéns aos organizadores e autores! Bom caminho!
domingo, 9 de janeiro de 2011
Valer a pena
A letra de um antigo fado de Coimbra rezava assim: "fui ao Mondego lavar/as penas das minhas mágoas". As "penas" que querem dizer os desgostos, os sacrifícios, as tristezas.
E nós dizemos: "Vale a pena?". Literalmente o que se vai fazer vale o sacrifício, vale o esforço penoso? É interessante esta associação entre a actividade e o trabalho com a "pena". "Fui ver tal concerto e valeu a pena". Mesmo no Brasil quando se quer dizer que algo foi bom diz-se "Valeu!"
(Ai esta vida é um vale de lágrimas...)
"Valeu a pena!". ("Valeu a alegria" também serve?)
miar do gato -
está alegre
ou triste?
E nós dizemos: "Vale a pena?". Literalmente o que se vai fazer vale o sacrifício, vale o esforço penoso? É interessante esta associação entre a actividade e o trabalho com a "pena". "Fui ver tal concerto e valeu a pena". Mesmo no Brasil quando se quer dizer que algo foi bom diz-se "Valeu!"
(Ai esta vida é um vale de lágrimas...)
"Valeu a pena!". ("Valeu a alegria" também serve?)
miar do gato -
está alegre
ou triste?
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Sobrojetivo
Palavra curiosa esta! Objeto - de concreto; objetividade como qualidade daquilo que é sólido, palpável, real, existente. Um objeto. E não só o os palpáveis também os números, as demonstrações, os fatos.
Objetividade a qualidade do que não é treta: é objetivo mesmo. Mas...
Ah, os mas...
Quantas mentiras temos visto em nome da objetividade? Quantas manipulações? Objetivo é o que se mostra. E o que se esconde?... Objetivo é... uma visão que, amparada pelos dados "convenientes" mostra indiscutivelmente uma realidade objetiva.
Daí que o que é inferior ao objetivo seja Subjetivo (Sub-objetivo).
Eu acho que o sub-jetivo não deveria ser escrito como sendo abaixo (prefixo - "sub") do objectivo. Por isso proponho que se diga SOBROBJETIVO (prefixo sobre - por cima) Exemplo: "A sua opinião é muito sobrobjetiva"
É quando somos sobrojetivos que somos verdadeiramente humanos.
PS. Escritos sem os "cês" por casa do acordo ortográfico. I hope it's correct...
Objetividade a qualidade do que não é treta: é objetivo mesmo. Mas...
Ah, os mas...
Quantas mentiras temos visto em nome da objetividade? Quantas manipulações? Objetivo é o que se mostra. E o que se esconde?... Objetivo é... uma visão que, amparada pelos dados "convenientes" mostra indiscutivelmente uma realidade objetiva.
Daí que o que é inferior ao objetivo seja Subjetivo (Sub-objetivo).
Eu acho que o sub-jetivo não deveria ser escrito como sendo abaixo (prefixo - "sub") do objectivo. Por isso proponho que se diga SOBROBJETIVO (prefixo sobre - por cima) Exemplo: "A sua opinião é muito sobrobjetiva"
É quando somos sobrojetivos que somos verdadeiramente humanos.
PS. Escritos sem os "cês" por casa do acordo ortográfico. I hope it's correct...
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
2 haiku de ano novo
da casca de plátano
brota um rebento -
é cedo ou tarde?
Aaron Copland -
o grande céu de inverno
baço e luminoso.
brota um rebento -
é cedo ou tarde?
Aaron Copland -
o grande céu de inverno
baço e luminoso.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Liberdade
Ah... a liberdade do duche...
O espaço é o mesmo todos os dias
o shampô e o sabonete
raramente mudam,
A sequência dos movimentos é a mesma
cada dia que passa
A toalha segue sempre
os mesmos percursos
e pela mesma ordem...
Isto é que é liberdade!
O espaço é o mesmo todos os dias
o shampô e o sabonete
raramente mudam,
A sequência dos movimentos é a mesma
cada dia que passa
A toalha segue sempre
os mesmos percursos
e pela mesma ordem...
Isto é que é liberdade!
Receita
RECEITA DE ANO NOVO
Carlos Drummond Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha ...
...Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha ...
...Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Opostos
Tantos apelos à Paz e à Concórdia que se fazem pelo Natal, não podem deixar esquecer porque é que eles se fazem. Fazem-se porque vivemos rodeados de inúmeras guerras. Poucas guerras grandes e muitas pequenas.
A guerra é certamente a experiência-limite mais radical que a humanidade pode passar. Andar a fugir com medo de ser morto ou torturado; perseguir os outros para os matar ou torturar, para lhes matar os filhos, destruir as suas casas, queimar-lhes o sustento, envenenar-lhes a água... Não há certamente nada de tão limite como este terror e procura da morte. Matar ou ser morto. O ódio absoluto.
E por trás de cada um destes terríveis actores há ternura, há afagos, lágrimas, há saudades. Lá longe...
A guerra é também matar quem ama o assassinado: os pais, a mulher, a namorada, os filhos, os amigos, as suas ideias, o seu país...
Vejo atrás dos monstros
mãos que se dão, almoços de domingo
crianças que correm
e têm as suas cabeças afagadas.
Atrás deles vêm todas estas lágrimas
Todos os gritos impotentes
Todo o mal irremediável.
E meto a bala na câmara:
quantas lágrimas vai ela custar?
Disparo de olhos abertos
para não ver. Não posso ver!
Disparo de longe
para só ver os vultos simiescos.
Quero lá saber!
Quero lá saber!
Se matar talvez chegue a casa
para almoçar no domingo.
A guerra é certamente a experiência-limite mais radical que a humanidade pode passar. Andar a fugir com medo de ser morto ou torturado; perseguir os outros para os matar ou torturar, para lhes matar os filhos, destruir as suas casas, queimar-lhes o sustento, envenenar-lhes a água... Não há certamente nada de tão limite como este terror e procura da morte. Matar ou ser morto. O ódio absoluto.
E por trás de cada um destes terríveis actores há ternura, há afagos, lágrimas, há saudades. Lá longe...
A guerra é também matar quem ama o assassinado: os pais, a mulher, a namorada, os filhos, os amigos, as suas ideias, o seu país...
Vejo atrás dos monstros
mãos que se dão, almoços de domingo
crianças que correm
e têm as suas cabeças afagadas.
Atrás deles vêm todas estas lágrimas
Todos os gritos impotentes
Todo o mal irremediável.
E meto a bala na câmara:
quantas lágrimas vai ela custar?
Disparo de olhos abertos
para não ver. Não posso ver!
Disparo de longe
para só ver os vultos simiescos.
Quero lá saber!
Quero lá saber!
Se matar talvez chegue a casa
para almoçar no domingo.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
40
São 40 (quarenta) os livros que se publicam POR DIA em Portugal.Nem todos de ficção certamente. De poesia quantos serão? Se forem 5% são 2 por dia o que prefaz 730 por ano. Serão tantos? Se for só um por dia? Faz 365 por ano. E se houver destes 365 10% que valha a pena ler? São 36.
E eu quantos livros de poesia portuguesa li no ano passado? Talvez 16. (E o resto... sem ser em Portugal?
Raio de vida curta!
E eu quantos livros de poesia portuguesa li no ano passado? Talvez 16. (E o resto... sem ser em Portugal?
Raio de vida curta!
domingo, 26 de dezembro de 2010
Mais dois de Inverno
o vento e o Sol
vêm da terra -
encaram a onda.
madrugada na praia -
aquele quebrar da onda
só eu vi.
vêm da terra -
encaram a onda.
madrugada na praia -
aquele quebrar da onda
só eu vi.
E ainda...
um velho
caminha no cais -
rangem os barcos atracados.
que pesada a gaivota
quando se eleva da areia -
mas depois...
caminha no cais -
rangem os barcos atracados.
que pesada a gaivota
quando se eleva da areia -
mas depois...
sábado, 25 de dezembro de 2010
E mais dois ainda...
risco preto
mancha branca -
pontapé no muro.
vento de terra:
a onda anuncia-se
por um véu de espuma.
mancha branca -
pontapé no muro.
vento de terra:
a onda anuncia-se
por um véu de espuma.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
E mais dois de Inverno
véspera de Natal
de madrugada, ainda acesos
o farol e a Lua.
a primeira marca
da pata da gaivota
na pele da areia.
de madrugada, ainda acesos
o farol e a Lua.
a primeira marca
da pata da gaivota
na pele da areia.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Três haiku de Inverno
manhã de Dezembro
na praia as ondas
correm para o Sol
dabaixo da estátua
um jardineiro varre folhas
à chuva miúda.
o vento e os meus olhos
chegam ao quintal vazio
pela frincha da porta.
na praia as ondas
correm para o Sol
dabaixo da estátua
um jardineiro varre folhas
à chuva miúda.
o vento e os meus olhos
chegam ao quintal vazio
pela frincha da porta.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Ser natural
A poesia haiku está ligada à Natureza. E o que significa "estar ligado à natureza?". Por um lado significa que Natureza (o mundo natural) deve estar presente na poesia: as montanhas, o sol, a lua, os lagos, o mar, a terra, os pássaros, a água, o fogo, etc. etc.
Mas significa também que a poesia deve ser natural no sentido de não ser pretenciosa, afectada, diletante, artificial. Uma poesia desta só pode ser escrita se o poeta for "natural". E regressa a questão: "Que é ser natural?".
Ser natural é não se motivar pala opinião que os os outros têm de nós. É certamente aprender com a vida e com os outros mas não deixar que as opiniões, os planos ou as expectativas que os outros têm sobre nós nos determinem a vida. "Sermos nós próprios". Aprendendo tudo mas na hora de decidir agir só de acordo com o que achamos que está certo. Isto é agir de forma "natural".
lindo o caracol!
e não se viu
ao espelho.
Mas significa também que a poesia deve ser natural no sentido de não ser pretenciosa, afectada, diletante, artificial. Uma poesia desta só pode ser escrita se o poeta for "natural". E regressa a questão: "Que é ser natural?".
Ser natural é não se motivar pala opinião que os os outros têm de nós. É certamente aprender com a vida e com os outros mas não deixar que as opiniões, os planos ou as expectativas que os outros têm sobre nós nos determinem a vida. "Sermos nós próprios". Aprendendo tudo mas na hora de decidir agir só de acordo com o que achamos que está certo. Isto é agir de forma "natural".
lindo o caracol!
e não se viu
ao espelho.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Pressão
Como ela tem aumentado! A pressão arterial, a depressão...Que me perdoem os estudiosos da depressão mas eu diria que a depressão está intimamente ligada à alienação. Já Karl Marx dizia que a alienação é um processo que separa o trabalhador do seu trabalho, isto é, da fruição, do prazer de fazer o seu trabalho.
A pressão que actualmente, em nome da "crise", se abate sobre os trabalhadores tem muito a ver com o facto dos ritmos, dos procedimentos não permitirem que cada pessoas controle o trabalho que faz, se satisfaça em o ver feito e possa usar o trabalho para aquilo que ele devia ser: uma actividade humana e como tal completa e realizadora.
Separar as pessoas da fruição do seu trabalho, comprometê-las em trabalhos dos quais não se tem controlo, desumaniza o trabalhador e deprime-o.
o roupeiro da equipa
nunca pode ver o jogo
de futebol.
A pressão que actualmente, em nome da "crise", se abate sobre os trabalhadores tem muito a ver com o facto dos ritmos, dos procedimentos não permitirem que cada pessoas controle o trabalho que faz, se satisfaça em o ver feito e possa usar o trabalho para aquilo que ele devia ser: uma actividade humana e como tal completa e realizadora.
Separar as pessoas da fruição do seu trabalho, comprometê-las em trabalhos dos quais não se tem controlo, desumaniza o trabalhador e deprime-o.
o roupeiro da equipa
nunca pode ver o jogo
de futebol.
5 máximas
1. Dança como se ninguém te visse
2. Dá como se ninguém soubesse
3. Tem compaixão como se não tivesses mais nada que fazer
4. Fala como se o que dizes fosse útil
5. Ama como se não soubesses que vai acabar.
2. Dá como se ninguém soubesse
3. Tem compaixão como se não tivesses mais nada que fazer
4. Fala como se o que dizes fosse útil
5. Ama como se não soubesses que vai acabar.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Bambu
O escritor António Lobo Antunes publicou há alguns anos um livro (que eu não li...) com um título sugestivo: "Que farei quando tudo arde?". A pergunta á muito pertinente agora que parece que os valores, os hábitos, as práticas, as rotinas, etc. se estão a alterar tão rápida e radicalmente que podemos pensar que "tudo arde". O que arde e se vai esfumando são os processos e os pressupostos com que se fazia quase tudo desde a economia, à educação, passando pelas relações humanas. Lembrei-me de responder à pergunta do António Lobo Antunes. Que fazer?
Encharca-te, pá! Não te incendeies só porque tudo arde. Mantem-te molhado. Não digas que agora não vale a pena. Sempre vale a pena a tua actuação e pensamento. Mesmo que não seja para prevalecer serve para contrabalançar o incêndio. Vai dizendo e fazendo e analisando com a tua consciência o que és e o que fazes. E deixa para lá os pirómanos...
um pardal:
no mais firme nos bambus
batidos pelo vento.
Encharca-te, pá! Não te incendeies só porque tudo arde. Mantem-te molhado. Não digas que agora não vale a pena. Sempre vale a pena a tua actuação e pensamento. Mesmo que não seja para prevalecer serve para contrabalançar o incêndio. Vai dizendo e fazendo e analisando com a tua consciência o que és e o que fazes. E deixa para lá os pirómanos...
um pardal:
no mais firme nos bambus
batidos pelo vento.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Pensar à volta do "click"
A publicidade aos computadores assenta em dois pilares: a memória e a rapidez. Claro que uma está ligada à outra: quando a memória está muito carregada a informação anda mais devagar... Mas hoje queria falar da rapidez.
Já trabalhei nesses computadores super rápidos: ao menor "click" aparece outra janela e os diferentes ambientes sucedem-se vertiginosamente. Isto é que parece ser o bom, não é?
Eu faço a apologia dos computadores lentos; aqueles que depois de clicar ficam uns exasperantes dez segundos até mudarem para o programa ou que pedimos. E porquê? Porque é que na idade da rapidez eu louvo os computadores lentos?
É para ver se temos tempo de pensar... Já avaliaram quantos "clicks" frenéticos e inúteis (raivosos ?)damos ao nosso computador? Com um computador mais lento talvez tenhamos uma oportunidade de pensar "à volta do "click": "Era mesmo isso que eu queria?", "O que é que vou escrever?", "Vale a pena?" "Será este o "tom"?
Vivam os computadores lentos! Os únicos próximos do nosso ritmo! (Mesmo assim ainda talvez mais rápidos que nós...)
Dança:
o pensamento flui
ao ritmo do corpo.
Já trabalhei nesses computadores super rápidos: ao menor "click" aparece outra janela e os diferentes ambientes sucedem-se vertiginosamente. Isto é que parece ser o bom, não é?
Eu faço a apologia dos computadores lentos; aqueles que depois de clicar ficam uns exasperantes dez segundos até mudarem para o programa ou que pedimos. E porquê? Porque é que na idade da rapidez eu louvo os computadores lentos?
É para ver se temos tempo de pensar... Já avaliaram quantos "clicks" frenéticos e inúteis (raivosos ?)damos ao nosso computador? Com um computador mais lento talvez tenhamos uma oportunidade de pensar "à volta do "click": "Era mesmo isso que eu queria?", "O que é que vou escrever?", "Vale a pena?" "Será este o "tom"?
Vivam os computadores lentos! Os únicos próximos do nosso ritmo! (Mesmo assim ainda talvez mais rápidos que nós...)
Dança:
o pensamento flui
ao ritmo do corpo.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Bolsos
Há pouco tempo fui a uma conferência na Gulbenkian sobre arte japonesa em que se falou sobre o "inro" japonês - aquela pequena bolsa suspensa ao pescoço. Visitei depois a (fantástica) exposição de pintura no Museu Nacional de Arte Antiga sobre os "primitivos Portugueses".
E que tem uma coisa a ver com a outra?
É que reparei que nos numerosos quadros pintados entre 1450 e 1550 não havia bolsos no vestuário nem pinduricalhos atados à roupa. E pensei...
Durante muitos séculos não precisamos de trazer nada connosco, depois vieram os bolsos (sempre cheios de "coisas"), depois as pastas (cheias de papéis que muitas vezes passeamos sem precisar) e agora trazemos o "portátil" com as nossa músicas, as nossas fotos, a nossa enciclopédia virtual, os nossos ficheiros, etc. etc. etc.
Cada vez precisamos de transportar mais coisas connosco. Porquê?
Talvez: 1. porque o que nós somos depende cada vez mais do que temos e 2. porque passamos para os bolsos e para "o portátil" o que devia estar na nossa mente e no nosso coração. Talvez...
E que tem uma coisa a ver com a outra?
É que reparei que nos numerosos quadros pintados entre 1450 e 1550 não havia bolsos no vestuário nem pinduricalhos atados à roupa. E pensei...
Durante muitos séculos não precisamos de trazer nada connosco, depois vieram os bolsos (sempre cheios de "coisas"), depois as pastas (cheias de papéis que muitas vezes passeamos sem precisar) e agora trazemos o "portátil" com as nossa músicas, as nossas fotos, a nossa enciclopédia virtual, os nossos ficheiros, etc. etc. etc.
Cada vez precisamos de transportar mais coisas connosco. Porquê?
Talvez: 1. porque o que nós somos depende cada vez mais do que temos e 2. porque passamos para os bolsos e para "o portátil" o que devia estar na nossa mente e no nosso coração. Talvez...
domingo, 12 de dezembro de 2010
O triste de aprender
Quanta conotação de tristeza e de punição está ligada ao sublime acto de aprender! Pune-se o outro "para que ele aprenda": a omissão, o castigo verbal, o cinismo, a humilhação são quantas vezes justificadas pela "aprendizagem"? ´"É para aprender!"
Aprende-se com a dor? Tenho dúvida.
Com a dor sofre-se, com a dor evita-se, não se faz, não se volta a fazer. Mas fazem-se coisas novas? Não.
Aprender é ligar o que somos com coisas novas e que não suspeitavamos que eramos capazes. Aprender é ser, fazer, poder coisas novas.
E isso consegue-se com castigos? De certo não.
um caracol
no passeio depois da chuva -
abriga-te na relva!
Aprende-se com a dor? Tenho dúvida.
Com a dor sofre-se, com a dor evita-se, não se faz, não se volta a fazer. Mas fazem-se coisas novas? Não.
Aprender é ligar o que somos com coisas novas e que não suspeitavamos que eramos capazes. Aprender é ser, fazer, poder coisas novas.
E isso consegue-se com castigos? De certo não.
um caracol
no passeio depois da chuva -
abriga-te na relva!
O Ruy e eu.
Quantos cabelos é preciso perder
para ser careca?
Quantos centímetros é preciso ter
Para ser "alto"?
Quanto tempo tem de passar
para ser demais?
Quanto amor deve de ser negado
para ser pouco?
Quando é que já chega?
Quando sobra?
Quando falta?
Quantos amores têm de morrer
Para abalar tanto as raízes da nossa vida
Que se nos torna natural partir?
para ser careca?
Quantos centímetros é preciso ter
Para ser "alto"?
Quanto tempo tem de passar
para ser demais?
Quanto amor deve de ser negado
para ser pouco?
Quando é que já chega?
Quando sobra?
Quando falta?
Quantos amores têm de morrer
Para abalar tanto as raízes da nossa vida
Que se nos torna natural partir?
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Soltei o corpo:
a água do rio
balançou-o para o mar,
para o largo mar.
Não levei saudades
da terra:
nem o frio da água
me fez pensar
em voltar
Só foi comigo
uma tristeza fina como seda
macia, fria e quase afago.
Gaivotas de vidro azul
volteiam no céu leitoso
e os reflexos já laranja
nas suas asas
anunciam a noite.
a água do rio
balançou-o para o mar,
para o largo mar.
Não levei saudades
da terra:
nem o frio da água
me fez pensar
em voltar
Só foi comigo
uma tristeza fina como seda
macia, fria e quase afago.
Gaivotas de vidro azul
volteiam no céu leitoso
e os reflexos já laranja
nas suas asas
anunciam a noite.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Investimentos desiludidos
Breve lição de Economia
1 Se em Janeiro de 2007 tivesse investido 1.000 euros em acções do Royal bank of Scotland,um dos maiores bancos do Reino Unido ,hoje teria 29 euros
2 Se em Janeiro de 2007 tivesse investido 1.000 euros em acções do Fortis,outro gigante do sector bancário hoje teria 39 euros
3 Se em Janeiro de 2007 tivesse investido 1.000 euros em vinho Tinto do Douro e o tivesse bebido todo e vendesse apenas as garrafas hoje teria 46 euros
Conclusão - No cenário economico actual perdes menos dinheiro sentado bebendo um bom vinho
1 Se em Janeiro de 2007 tivesse investido 1.000 euros em acções do Royal bank of Scotland,um dos maiores bancos do Reino Unido ,hoje teria 29 euros
2 Se em Janeiro de 2007 tivesse investido 1.000 euros em acções do Fortis,outro gigante do sector bancário hoje teria 39 euros
3 Se em Janeiro de 2007 tivesse investido 1.000 euros em vinho Tinto do Douro e o tivesse bebido todo e vendesse apenas as garrafas hoje teria 46 euros
Conclusão - No cenário economico actual perdes menos dinheiro sentado bebendo um bom vinho
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Concurso Internacional de Haiku / International Haiku Contest
Em Janeiro a Associação de Amizade Portugal-Japão vai organizar um Concurso Internacional de Haiku. O concurso estará aberto até 31 de Março e aceitará poesia em português e em inglês. O regulamento já está pronto e muito em breve estará a correr nas páginas da internet.
O tema do concurso é o Mar e a Viagem.
Podem começar a preparar os haiku...
January 2011, the Friendship Association Portugal-Japan will organise an International Haiku Contest. This contest will accept applications till the 31rd of March in Portuguese and in English. The Rules of the Competition will be soon on Internet.
The main theme is the Sea and the Voyage.
You may start preparing your haiku...
O tema do concurso é o Mar e a Viagem.
Podem começar a preparar os haiku...
January 2011, the Friendship Association Portugal-Japan will organise an International Haiku Contest. This contest will accept applications till the 31rd of March in Portuguese and in English. The Rules of the Competition will be soon on Internet.
The main theme is the Sea and the Voyage.
You may start preparing your haiku...
sábado, 4 de dezembro de 2010
Workshop de Haiku
O animador de uma workshop de Haiku raspou duas pinhas uma na outra.
- O que lhes lembra este som?
Várias respostas: "uma peça a encaixar", "um ácido", "um abandono"...
Até que um dos participantes disse:
-A mim lembra-me sexo!
- É a resposta mais original que eu ouvi até hoje! Pode explicar porquê? - perguntou o animador.
- É que eu não penso noutra coisa...
- O que lhes lembra este som?
Várias respostas: "uma peça a encaixar", "um ácido", "um abandono"...
Até que um dos participantes disse:
-A mim lembra-me sexo!
- É a resposta mais original que eu ouvi até hoje! Pode explicar porquê? - perguntou o animador.
- É que eu não penso noutra coisa...
domingo, 28 de novembro de 2010
British Museum
Só anteontem comprei o livro "The British Museum Haiku" de 2002 (The British Museum Press). Vi-o quase por acidente na livraria de um museu de Lisboa. É um livro lindíssimo: a ideia é juntar xilogravuras japonesas da colecção do Museu Britânico com poesias haiku dos mais famosos poetas japoneses: Issa, Bashô, Buson, etc.
Quem organiza este livro - e que cuidadosa é a edição... - é David Cobb poeta, grande divulgador e estudioso de haiku e Presidente da British Haiku Society.
Fica aqui a capa do livro feita a partir de uma xilogravura de Eishosai Choki (c.1795). Linda, não é?
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
A Fé
E ainda falam da crise dos valores imateriais na nossa sociedade... Em plena crise, quando parece que tudo se resume a balanças de pagamento, taxas de juro, individamento externo, mercados bolsistas, etc. etc. acho que nunca a Fé e a Confiança estiveram tão presentes.
Afinal o que faz subir e baixar a Bolsa? É a Confiança. Confiança em quê ou em quem? Não se sabe... é a Confiança... guiada por ténues e desconhecidos indícios. Querem maior metafísica que esta?
E a Fé? Quando as pessoas mais capazes do país nos juram opiniões opostas sobre assuntos tão objectivos como dinheiro, execução fiscal ou orcamentária, que nos resta a nós? É mesmo a Fé. A Fé neles, a Fé no partido, a Fé que, por muito mau que esteja, "isto" vai melhorar. Mesmo quem acha que vai piorar tem Fé que não piore muito...
A Confiança e a Fé. Antes com as Igrejas, hoje com os mercados. Nunca houve tanta.
Afinal o que faz subir e baixar a Bolsa? É a Confiança. Confiança em quê ou em quem? Não se sabe... é a Confiança... guiada por ténues e desconhecidos indícios. Querem maior metafísica que esta?
E a Fé? Quando as pessoas mais capazes do país nos juram opiniões opostas sobre assuntos tão objectivos como dinheiro, execução fiscal ou orcamentária, que nos resta a nós? É mesmo a Fé. A Fé neles, a Fé no partido, a Fé que, por muito mau que esteja, "isto" vai melhorar. Mesmo quem acha que vai piorar tem Fé que não piore muito...
A Confiança e a Fé. Antes com as Igrejas, hoje com os mercados. Nunca houve tanta.
Haiku Diário
Quando se escreve poesia? Ora aqui está uma pergunta que teria as mais singulares (e por isso inusitadas) respostas. Há mesmo quem esteja em estado permanente e diário de produção poética. Recomendo a este propósito o excelente blog:
www.joo-dailyhaiku.blogspot.com
no céu de Inverno
um buraco azul:
um balão de criança!
www.joo-dailyhaiku.blogspot.com
no céu de Inverno
um buraco azul:
um balão de criança!
terça-feira, 23 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Dentro do vento
vozes silenciosas
dentro do vento de Inverno -
de longe pra longe.
silent voices
inside the Winter's wind -
from far away to far away.
dentro do vento de Inverno -
de longe pra longe.
silent voices
inside the Winter's wind -
from far away to far away.
sábado, 20 de novembro de 2010
Defesa
Não existem no mundo Ministérios de Ataque. São todos da Defesa. Em Lisboa, hoje, os homens e mulheres mais poderosos do mundo discutem... a defesa. Defender-se de quem?. Uns dos outros? Não! Defrender-se dos "outros". Mas... que outros? Todos os que têm realmente poder para ferir gravemente os "outros" estão sentados à mesma mesa para discutir como se hão-de defender dos "outros". Os outros são os fundamentalistas, os terroristas, as milicias do Hamas, do Afeganistão, da Chechénia,... enfim a tropa fandanga. Mas o que se discute é como usar os escudos antimísseis, é o armamento nuclear.
Mas, afinal, quem são os outros?
disse o caracol:
- A minha concha é o meu ataque
contra a morte!
Mas, afinal, quem são os outros?
disse o caracol:
- A minha concha é o meu ataque
contra a morte!
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
O velho leão / The old lion
na parede
o leão desdentado
tem uma foto dos dentes.
on the wall
the teethless lion
hangs a photo of his teeth.
o leão desdentado
tem uma foto dos dentes.
on the wall
the teethless lion
hangs a photo of his teeth.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
O haiku de hoje...
és a porta
entre o meu quarto escuro
e a sala com sol.
you are the door
between my dark bedroom
and the sunny room.
entre o meu quarto escuro
e a sala com sol.
you are the door
between my dark bedroom
and the sunny room.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Amanhã
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Aprender
Aprender é compreender
Aprender é prender
Aprender dos outros e com os outros
Isto é: Compreender
ou comprender.
Aprender é comaprender.
Aprender é prender
Aprender dos outros e com os outros
Isto é: Compreender
ou comprender.
Aprender é comaprender.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Caro
comprava coisas caras
esperando um dia valer
tanto como elas.
buying expensive stuff
hoping someday
be as valued as they are.
esperando um dia valer
tanto como elas.
buying expensive stuff
hoping someday
be as valued as they are.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
Ainda o Tsukimi...
No dia 23 de Setembro a Associação de Amizade Portugal-Japão organizou um Tsukimi . contemplação da Lua de Outono. A seguir ao jantar no Hotel Altis, os participantes escreveram alguns haiku que foram lidos e comentados em grupo.
Aqui ficam alguns deles:
Lua de Outono:
todas as núvens
se afastam.
Lua aveludada
acaricia
o silêncio da noite.
o vento
a soprar
nas minhas lágrimas.
estrela
a lua está ao pé de ti
não te preocupes.
Um espírito:
a Lua por trás
da chuva
É fácil de ver que foi uma noite linda!
Aqui ficam alguns deles:
Lua de Outono:
todas as núvens
se afastam.
Lua aveludada
acaricia
o silêncio da noite.
o vento
a soprar
nas minhas lágrimas.
estrela
a lua está ao pé de ti
não te preocupes.
Um espírito:
a Lua por trás
da chuva
É fácil de ver que foi uma noite linda!
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Criatividade brasileira
Agora é sobre nomes de casas comerciais:
Lavandaria Moderna:
25 anos bem passados
Distriboi
Comércio de Carne
Casa a Caso
Imobiliário.
Lavandaria Moderna:
25 anos bem passados
Distriboi
Comércio de Carne
Casa a Caso
Imobiliário.
sábado, 23 de outubro de 2010
Octobre - Paris
a caminho de Orly
a Lua cheia de um lado
e o Sol do outro.
cresce a Lua
declina o sol -
A noite vai ser linda?
A Lua e o Sol
a caminho de Orly -
O Sol e a Lua.
a Lua cheia de um lado
e o Sol do outro.
cresce a Lua
declina o sol -
A noite vai ser linda?
A Lua e o Sol
a caminho de Orly -
O Sol e a Lua.
sábado, 16 de outubro de 2010
De Frente para o Mar
Parece que é desta!!! Parece incrível mas este livro, tão sonhado por mim, sofreu tantos reveses para a sua edição que várias vezes pensei em desistir. Só mesmo uma vara de determinação que às vezes encontro dentro de mim me fez insistir que este livro tinha de ser editado por vezes contra toda a racionalidade. Quando se olha os factos de forma "objectiva" não parece muito difícil: há empresas a patrocinar, poetas a escrever e uma editora a editar. Parece fácil, não é? Mas não foi. Não foi mesmo e este livro custou muito mais esforço do que era preciso.
Mas as boas notícias é que em meados de Novembro estará "cá fora". Ver para crer ou melhor ver para ler. "De frente para o Mar" a primeira antologia de poesia haiku de poetas portugueses. Parece impossível!!!
Mas as boas notícias é que em meados de Novembro estará "cá fora". Ver para crer ou melhor ver para ler. "De frente para o Mar" a primeira antologia de poesia haiku de poetas portugueses. Parece impossível!!!
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Amanhã
Amanhã é outro dia
virá branco como este chegou
e, de certo, não sei
onde vou ver o entardecer.
porque amanhã é outro dia
e a luz da alba
iluminará jornais que escrevem
o que nunca foi escrito.
enquanto amanhã for outro dia
há sempre a esperança de um afago
de um cimento que cole a jarra
partida e dispersa pela mesa e pelo chão
é certo que é outro dia, amanhã.
E que é possível que o musgo
suba à altura dos castanheiros,
que a curva da face fique seca
e só os olhos brilhem ao sol.
virá branco como este chegou
e, de certo, não sei
onde vou ver o entardecer.
porque amanhã é outro dia
e a luz da alba
iluminará jornais que escrevem
o que nunca foi escrito.
enquanto amanhã for outro dia
há sempre a esperança de um afago
de um cimento que cole a jarra
partida e dispersa pela mesa e pelo chão
é certo que é outro dia, amanhã.
E que é possível que o musgo
suba à altura dos castanheiros,
que a curva da face fique seca
e só os olhos brilhem ao sol.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
A Crise
Hoje ouvi a explicação mais simples e mais certeira sobre a crise dada pelo economista Carlos Carvalhas antigo secretário-geral do PCP.
Diz ele que a crise foi originada no sistema financeiro que para a ultrapassar contou com chorudos milhões dados pelo Estado. Agora é o sistema financeiro que põe o Estado de joelhos ao comprar o dinheiro no Banco Central Europeu a 1% e a vende-lo ao Estado (juros da dívida) a mais de 6 %. Disse também que a especulação já escolheu a sua vítima (Portugal) e não vai larga-la facilmente.
O capitalismo é como um grupo de caçadores a seleccionar quem na manada parece mais frágil...depois é uma questão de tempo...
o leão
tirou a comida ao filho -
cresce e aparece!
Diz ele que a crise foi originada no sistema financeiro que para a ultrapassar contou com chorudos milhões dados pelo Estado. Agora é o sistema financeiro que põe o Estado de joelhos ao comprar o dinheiro no Banco Central Europeu a 1% e a vende-lo ao Estado (juros da dívida) a mais de 6 %. Disse também que a especulação já escolheu a sua vítima (Portugal) e não vai larga-la facilmente.
O capitalismo é como um grupo de caçadores a seleccionar quem na manada parece mais frágil...depois é uma questão de tempo...
o leão
tirou a comida ao filho -
cresce e aparece!
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Executivos eficintes
Andam por aí: a sanear e "encolher" empresas, enfim a ver e a discernir o que mais ninguém era capaz de ver e de fazer. São os "yuppies" os executivos que "dão um jeito" no que está encalhado. Para eles não há passado, o presente é só uma etapa a ultrapassar para chegar ao futuro.
As linhas seguintes são para eles:
olhar o presente
e só o presente
sem saber de onde vem
e para onde quer ir
é a base para julgar
injustamente.
Tudo é mais que o seu presente
mesmo que este presente
seja triste, arruinado
e pareça sem futuro.
sem memória
tudo parece mais simples
mas também
irremediavelmente inútil
como uma jarra de flores
num quartel.
As linhas seguintes são para eles:
olhar o presente
e só o presente
sem saber de onde vem
e para onde quer ir
é a base para julgar
injustamente.
Tudo é mais que o seu presente
mesmo que este presente
seja triste, arruinado
e pareça sem futuro.
sem memória
tudo parece mais simples
mas também
irremediavelmente inútil
como uma jarra de flores
num quartel.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Ferreira Gullar
Ferreira Gullar é Prémio Camões 2010. Este notável poeta brasileiro deu uma entrevista ao Jornal de Letras (22 Setembro) em que fala do seu processo criativo. Acho que o que ele diz tem muito a ver com a escrita de poesia haiku, sobretudo aquele "insight", o discernimento que se tem num dado momento. No Brasil dir-se-ia uma "sacada"...
Como Gullar diz que é assim que escreve poesia:
"Dá notícia do que acontece: um osso que bateu noutro ou, de repente, o cheiro a tangerina. O meu filho abre uma tangerina na sala, evidentemente muitas vezes senti esse cheiro na vida, mas nesse momento leva-me para um estado diferente e passa a ser qualquer coisa que não sei o que é. Aí, começo a refletir sobre o cheiro da tangerina, envolvo-me e o poema nasce. Não é uma explicação científica nem filosófica (...) O poeta é incoerente (...) pode revelar coisas que não sabia um minuto antes e muito do que o filósofo não sabe explicar. Às vezes até me pergunto se poesia é Literatura".
Como Gullar diz que é assim que escreve poesia:
"Dá notícia do que acontece: um osso que bateu noutro ou, de repente, o cheiro a tangerina. O meu filho abre uma tangerina na sala, evidentemente muitas vezes senti esse cheiro na vida, mas nesse momento leva-me para um estado diferente e passa a ser qualquer coisa que não sei o que é. Aí, começo a refletir sobre o cheiro da tangerina, envolvo-me e o poema nasce. Não é uma explicação científica nem filosófica (...) O poeta é incoerente (...) pode revelar coisas que não sabia um minuto antes e muito do que o filósofo não sabe explicar. Às vezes até me pergunto se poesia é Literatura".
sábado, 2 de outubro de 2010
O que é um haiku
Ora aqui está uma pergunta que originou inumeráveis respostas. Por todo o mundo se procura estabelecer, delimitar o que é um haiku. E porquê este frenesim de saber se é ou não é? Eu acho que é para frear os novatos que, logo que escrevem um texto curto em três versos lhe chamam isso. Nós as pessoas que querem (e nem sempre conseguem...) escrever haiku sabemos que um haiku é muito mais do que três versos. Pessoalmente eu acho que também o haiku tradicional só uma das formas que o haiku pode assumir. Temos os exemplos de Kerouac (EUA) e de Leminski (Brasil) para mostrar até onde pode ir o haiku.
Esta discussão sobre as fronteiras do haiku fica para outra vez.
Hoje gostaria muito brevemente de dizer o que eu acho que o haiku deve ter (de certa forma aquilo que eu mais aprecio quando leio um destes poemas). São fundamentalmente 3 aspectos:
1. Antes de mais que evoque algo. Algo de real, concreto, talvez presente.Que se ligue a uma realidade activa no pensamento do poeta.
2. Que seja compacto, isto é, que se sinta que nada a mais está no poema. Um haiku que nada perde se lhe for removida uma palavra, não é um bom haiku.
3. Que seja narrativo. O que eu quero dizer com isto é que um haiku tem de se projectar para além de si. Temos que ver naqueles três versos uma expansão, uma projecção para uma realidade, para um pensamento maior. Há haiku que na sua modéstia contam uma história inteira. É destes que eu mais gosto.
Esta discussão sobre as fronteiras do haiku fica para outra vez.
Hoje gostaria muito brevemente de dizer o que eu acho que o haiku deve ter (de certa forma aquilo que eu mais aprecio quando leio um destes poemas). São fundamentalmente 3 aspectos:
1. Antes de mais que evoque algo. Algo de real, concreto, talvez presente.Que se ligue a uma realidade activa no pensamento do poeta.
2. Que seja compacto, isto é, que se sinta que nada a mais está no poema. Um haiku que nada perde se lhe for removida uma palavra, não é um bom haiku.
3. Que seja narrativo. O que eu quero dizer com isto é que um haiku tem de se projectar para além de si. Temos que ver naqueles três versos uma expansão, uma projecção para uma realidade, para um pensamento maior. Há haiku que na sua modéstia contam uma história inteira. É destes que eu mais gosto.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Ainda a Lua de Outono
em cima do rio
enorme, a Lua de Outono,
encolhe a noite.
above the river
the large Harvest Moon
shrinks the night.
enorme, a Lua de Outono,
encolhe a noite.
above the river
the large Harvest Moon
shrinks the night.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Lixo
Viajei para o Brsil apanhando três aviões. Em todos eles me serviram comida que vinha embalada e numerosas embalagens descartáveis: revestimentos, copos, talheres, pratos, bebidas, sal e pimenta, iogurtes, etc, etc. Calculo que originei pelo menos um quilo de lixo só para comer nos aviões...
Porquê tanto material descartável? Muito simples: fica mais barato do que tratar material não descartável. Mais barato em pessoal, em percas de material, lavagem, armazenamento, etc. etc.
E a conclusão disto tudo? A poluição absurda que fazemos vai continuar porque é mais barata. Se comerçarmos a poluir menos vamos agravar a crise porque fica mais caro em pessoas e recursos. E a crise económica é hoje; a ambiental ainda demora...É risível, não é?
tudo de plástico.
E o corpo?
É descartável?
Porquê tanto material descartável? Muito simples: fica mais barato do que tratar material não descartável. Mais barato em pessoal, em percas de material, lavagem, armazenamento, etc. etc.
E a conclusão disto tudo? A poluição absurda que fazemos vai continuar porque é mais barata. Se comerçarmos a poluir menos vamos agravar a crise porque fica mais caro em pessoas e recursos. E a crise económica é hoje; a ambiental ainda demora...É risível, não é?
tudo de plástico.
E o corpo?
É descartável?
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Ontem, 23 de Setembro
Ontem juntaram-se 25 pessoas em Belém (Lisboa) para jantar e para a leitura e escrita de haiku. A Luz nasceu enorme e sanguínea por detrás de nuvens. Depois ocultou-se e choveu mesmo um pouco a comprovar que era mesmo o equinócio... Mas quando acabamos o jantar, lá estava ela, majestosa e vibrante (com a sua estrela companheira à direita).
A reunião terminou pelas 23h00 e proporcionou-nos momentos que só a amizade e a poesia podem trazer.
A reunião terminou pelas 23h00 e proporcionou-nos momentos que só a amizade e a poesia podem trazer.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Mais Lua...
luar no Tejo
é quase pena
que venha o Sol.
sombra de luar
enfim a vitória
da noite.
digo-te adeus -
a lua está
descolada do céu.
o luar pousa
por cima dos telhados-
uma mão sobre quem dorme.
luar de Outono
em cheio na abóbora -
parece sorrir.
só de longe
as estrelas olham
a Luz Cheia
uma ponte de luz
sobre o Tejo -
Luz de Outono.
falo-te a sussurrar -
frente a nós
a Luz de Outono.
é quase pena
que venha o Sol.
sombra de luar
enfim a vitória
da noite.
digo-te adeus -
a lua está
descolada do céu.
o luar pousa
por cima dos telhados-
uma mão sobre quem dorme.
luar de Outono
em cheio na abóbora -
parece sorrir.
só de longe
as estrelas olham
a Luz Cheia
uma ponte de luz
sobre o Tejo -
Luz de Outono.
falo-te a sussurrar -
frente a nós
a Luz de Outono.
A Lua das Colheitas
Quinta-feira, dia 23 de Setembro de 2010 podemos contemplar a primeira Lua Cheia de Outono: a "Lua das Colheitas" ou a "Lua do Caçador".
No Japão esta Lua é celebrada com encontros, com comidas especiais e com a escrita de haiku. Vamos fazer isso em Lisboa (ver post anterior "Tsukimi 1").
Mesmo que não vá, leitor, levante os olhos para a Lua no dia 23 e deixe que o luar (uma das palavras mais bonitas da língua portuguesa) lhe ilumine o rosto e empape a alma.
luar no Tejo -
mesmo sem vento
a água treme.
No Japão esta Lua é celebrada com encontros, com comidas especiais e com a escrita de haiku. Vamos fazer isso em Lisboa (ver post anterior "Tsukimi 1").
Mesmo que não vá, leitor, levante os olhos para a Lua no dia 23 e deixe que o luar (uma das palavras mais bonitas da língua portuguesa) lhe ilumine o rosto e empape a alma.
luar no Tejo -
mesmo sem vento
a água treme.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Mineiros chilenos
debaixo de nós
a setecentos metros
estamos nós.
que riqueza
será encontrada
por estes mineiros?
saem no Natal!
afinal só morre quem está
à superfície.
a Terra
protege-os com as mãos
em concha.
e diz a senhora:
- E onde fazem cocó?
- Que horror!
diz o mineiro-filósofo:
- Nem aqui se consegue
estar sozinho!
a setecentos metros
estamos nós.
que riqueza
será encontrada
por estes mineiros?
saem no Natal!
afinal só morre quem está
à superfície.
a Terra
protege-os com as mãos
em concha.
e diz a senhora:
- E onde fazem cocó?
- Que horror!
diz o mineiro-filósofo:
- Nem aqui se consegue
estar sozinho!
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Tsukimi 1
A Associação de Amizade Portugal-Japão vai promover no dia 23 de Setembro (quinta-feira) um Tsukimi – contemplação da primeira Lua de Outono.
Este evento inicia-se com um jantar no Hotel Altis – Belém
Variedade de Sushi & Sashimi (Peixe cru laminado) - 18 peças por pessoa
Gelado de Chá Verde
Bebidas: Vinho Br. Sauvignon e Arinto ; Vinho Tinto Tinta Roriz e Touriga Nacional; Saké; refrigerantes e águas minerais
Após o jantar (cerca das 21h30) os participantes dirigir-se-ão ao jardim do Japão (frente ao Hotel) e aí serão lidos em português alguns haiku clássicos sobre este evento.
Os participantes serão então convidados a escrever um ou vários haiku sobre a Lua de Outono. Estes poemas serão depois lidos e comentados em grupo.
O preço do jantar é 35,50 Euros e, os participantes que assim o desejarem poderão optar só pela presença no programa do Jardim do Japão.
Todos são bem –vindos e esperamos uma noite de boa gastronomia, poesia e convívio.
Junto enviamos ficha de inscrição que deverá ser enviada para a D. Maria de Lurdes em aapjgeral@yahoo.com, ou para Rua de Artilharia Um nº104 -5ºesq, poderá ainda telefonar para o nº 96 471 2096 para esclarecimentos.
Este evento inicia-se com um jantar no Hotel Altis – Belém
Variedade de Sushi & Sashimi (Peixe cru laminado) - 18 peças por pessoa
Gelado de Chá Verde
Bebidas: Vinho Br. Sauvignon e Arinto ; Vinho Tinto Tinta Roriz e Touriga Nacional; Saké; refrigerantes e águas minerais
Após o jantar (cerca das 21h30) os participantes dirigir-se-ão ao jardim do Japão (frente ao Hotel) e aí serão lidos em português alguns haiku clássicos sobre este evento.
Os participantes serão então convidados a escrever um ou vários haiku sobre a Lua de Outono. Estes poemas serão depois lidos e comentados em grupo.
O preço do jantar é 35,50 Euros e, os participantes que assim o desejarem poderão optar só pela presença no programa do Jardim do Japão.
Todos são bem –vindos e esperamos uma noite de boa gastronomia, poesia e convívio.
Junto enviamos ficha de inscrição que deverá ser enviada para a D. Maria de Lurdes em aapjgeral@yahoo.com, ou para Rua de Artilharia Um nº104 -5ºesq, poderá ainda telefonar para o nº 96 471 2096 para esclarecimentos.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
2 haiku de Verão
manhã na praia
só buracos na areia -
vento da noite.
um poema -
o que sobra das palavras
depois do apara-lápis.
só buracos na areia -
vento da noite.
um poema -
o que sobra das palavras
depois do apara-lápis.
domingo, 29 de agosto de 2010
Inclusão
Tanto falo de "Inclusão"!!! Inclusão práqui, Inclusão práli...
Três perguntas sobre a Inclusão:
1. Estar incluído é obrigatório?
2. Se eu achar que o ambiente em que me querem incluir é de má qualidade, tenho mesmo assim que aceitar?
3. Estar incluído é só por si um critério de qualidade de vida?
E três saídas:
1. A Inclusão é quase sempre boa
2. Não é boa quando os ambientes são de fraca qualidade
3. Mais vale só que mal acompanhado...
E um haiku:
dia do professor:
hoje ninguém olha
para mim.
Três perguntas sobre a Inclusão:
1. Estar incluído é obrigatório?
2. Se eu achar que o ambiente em que me querem incluir é de má qualidade, tenho mesmo assim que aceitar?
3. Estar incluído é só por si um critério de qualidade de vida?
E três saídas:
1. A Inclusão é quase sempre boa
2. Não é boa quando os ambientes são de fraca qualidade
3. Mais vale só que mal acompanhado...
E um haiku:
dia do professor:
hoje ninguém olha
para mim.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
(Im)Possível
Tornar a vida
possível
só através de crenças no impossível
ou pelo menos no improvável:
na eternidade
ou no que se suspeita que há
para lá do horizonte.
Também há
quem vive a vida dos possíveis,
do provável e do certo.
Mas talvez a vida
não saiba ao mesmo...
(ou sabe mas só acendem a esperança
debaixo do lençol).
possível
só através de crenças no impossível
ou pelo menos no improvável:
na eternidade
ou no que se suspeita que há
para lá do horizonte.
Também há
quem vive a vida dos possíveis,
do provável e do certo.
Mas talvez a vida
não saiba ao mesmo...
(ou sabe mas só acendem a esperança
debaixo do lençol).
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