que boa esta dor
está quase a acabar -
é o fim do Inverno.
domingo, 6 de setembro de 2009
sábado, 5 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
As grandes e as pequenas razões:
Há gente que se rege por pequenas razões e gente que se rege por grandes razões. Exemplos das grandes: "Não cheguei a tempo por causa da política do Governo" (houve uma manifestação); "Não almocei por causa do José Sócrates" (o meu subsídio de refeição está atrasado). Mas também há as pequenas "Perdi o emprego por causa de uma bolha" (cheguei atrasado à entrevista"; "Não creio em Deus por causa do padre da minha terra" (o homem vivia como... homem"
As grandes e as pequenas razões...
o caminho
sobe e desce
e eu com ele.
As grandes e as pequenas razões...
o caminho
sobe e desce
e eu com ele.
Fim do dia
Sete árvores, um renque de sete árvores ainda jovens plantadas a distâncias regulares. O sol projecta para norte as sombras finas dos seus troncos. Ao meio dia as sombras estão longe umas das outras mas, à medida que o dia avança, elas vão-se deitanto no chão e cada vez mais inclinadas pelo sol poente, ficam mais juntas.
sombra das árvores
só à tarde as alcanço
com os meus passos.
sombra das árvores
só à tarde as alcanço
com os meus passos.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Um texto sobre terminologia...
Um participante da lista de discussão virtual haicai-l - André Bessa - postou um texto que me parece interessante e que aqui transcrevo, citando a fonte e com a devina vénia:
Apenas um pequeno adendo no que concerne a origem da palavra haiku.Muito já se foi escrito neste particular, porém, a maioria dasfontes – tanto orientais quanto ocidentais – concorrem nosentido de que o termo haiku surgiu em fins do século XIX,provavelmente inventado pelo escritor japonês Masaoka Shiki((1867-1902) a partir da palavra hokku. Esta designa a primeira estrofede um renga, que mais tarde derivou em renku, chamado também dehaikai no renga. O hokku, como poemeto independente, foi a formautilizada por Bashô, à qual incorporou-se uma combinação deprosa (haibun) e de pintura (haiga). No entanto, o termo haiku é hojeaplicado de forma retroativa a todos hokku que aparecem de formaindependente, ou seja, não ligadas a um renku ou a um renga.No Ocidente, foi através do artigo "Uma Proposta aos PoetasAmericanos" publicada na revista Reader de fevereiro de 1904, escritopelo poeta japonês Yone Noguchi (1875-1947) que se deve a primeiraaparição desta forma poética deste lado do mundo, chamada ainda dehokku neste artigo. Sómente pouco mais de um ano depois, é quesurgiram os primeiros haiku em francês pela mão do poeta efilósofo Paul-Louis Couchoud (1879-1959). Fato curioso,diferentemente das traduções inglesas, que adotaram a grafia hokku(já anacrônica) de Noguchi, Couchoud utilizou o nome haikai quandoeste poemeto era já então conhecido em todo o Japão pelo nomede haiku! Couchoud esteve por pouco tempo no Japão (de setembro 1903a maio 1904) e é pouco provável que tenha aprendidosuficientemente a língua nipônica a ponto de fazer traduçõesliterárias, como o querem certas fontes francesas.A primeira publicação de haicai (ou haiku) em francês se deuatravés do livro anónimo "Au fil de l'eau" (julho de 1905) –um pequeno formato de 15 páginas e impresso a trinta exemplaresapenas – e que contém 72 haikai (na grafia de P-L Couchoud).Estes foram compostos durante um cruzeiro em barcaça (péniche),feito poucos meses antes, através de canais na França, porPaul-Louis Couchoud e dois de seus amigos, o escultor Albert Poncin e opintor André Faure. Não se sabe bem o porque de Couchoud ter usadoo nome de haikai ao que já era então conhecido como haiku noJapão, e hokku nos países ocidentais de língua inglesa.Na verdade, haikai (que em japonês quer dizer cômico,excêntrico) é o nome dado a todo gênero poético que seencontra dentro da estética do haikai no renga, e que inclue formastais como o haiku, o haibun, o renku, o haiga e o senryu. Haikai (que setornou haicai em português do Brasil) é também usado com aforma abreviada de haikai no renga.
Um abraço,
André Bessa
Apenas um pequeno adendo no que concerne a origem da palavra haiku.Muito já se foi escrito neste particular, porém, a maioria dasfontes – tanto orientais quanto ocidentais – concorrem nosentido de que o termo haiku surgiu em fins do século XIX,provavelmente inventado pelo escritor japonês Masaoka Shiki((1867-1902) a partir da palavra hokku. Esta designa a primeira estrofede um renga, que mais tarde derivou em renku, chamado também dehaikai no renga. O hokku, como poemeto independente, foi a formautilizada por Bashô, à qual incorporou-se uma combinação deprosa (haibun) e de pintura (haiga). No entanto, o termo haiku é hojeaplicado de forma retroativa a todos hokku que aparecem de formaindependente, ou seja, não ligadas a um renku ou a um renga.No Ocidente, foi através do artigo "Uma Proposta aos PoetasAmericanos" publicada na revista Reader de fevereiro de 1904, escritopelo poeta japonês Yone Noguchi (1875-1947) que se deve a primeiraaparição desta forma poética deste lado do mundo, chamada ainda dehokku neste artigo. Sómente pouco mais de um ano depois, é quesurgiram os primeiros haiku em francês pela mão do poeta efilósofo Paul-Louis Couchoud (1879-1959). Fato curioso,diferentemente das traduções inglesas, que adotaram a grafia hokku(já anacrônica) de Noguchi, Couchoud utilizou o nome haikai quandoeste poemeto era já então conhecido em todo o Japão pelo nomede haiku! Couchoud esteve por pouco tempo no Japão (de setembro 1903a maio 1904) e é pouco provável que tenha aprendidosuficientemente a língua nipônica a ponto de fazer traduçõesliterárias, como o querem certas fontes francesas.A primeira publicação de haicai (ou haiku) em francês se deuatravés do livro anónimo "Au fil de l'eau" (julho de 1905) –um pequeno formato de 15 páginas e impresso a trinta exemplaresapenas – e que contém 72 haikai (na grafia de P-L Couchoud).Estes foram compostos durante um cruzeiro em barcaça (péniche),feito poucos meses antes, através de canais na França, porPaul-Louis Couchoud e dois de seus amigos, o escultor Albert Poncin e opintor André Faure. Não se sabe bem o porque de Couchoud ter usadoo nome de haikai ao que já era então conhecido como haiku noJapão, e hokku nos países ocidentais de língua inglesa.Na verdade, haikai (que em japonês quer dizer cômico,excêntrico) é o nome dado a todo gênero poético que seencontra dentro da estética do haikai no renga, e que inclue formastais como o haiku, o haibun, o renku, o haiga e o senryu. Haikai (que setornou haicai em português do Brasil) é também usado com aforma abreviada de haikai no renga.
Um abraço,
André Bessa
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
Ajiaco
Ajiaco bogotano é uma sopa feita com três tipos de batatas diferentes, galinha, milho e servida com creme de leite, abacate e alcaparras. Estava a comer uma destas num restaurante popular em Zipaquirá quando vi uma menina de 4 anos a ser arrastada pelos cabelos pelo pai. Ela tinha ido para a rua. O ajiaco estava bom mas perdi o apetite...
estranho...
a árvore cresce para o céu
é preciso pará-la.
estranho...
a árvore cresce para o céu
é preciso pará-la.
Zipaquirá
É uma cidade perto de Bogotá. A 2700 metros de altitude, por dentro de uma montanha, uma antiga mina de sal convertida numa enorme catedral. Leva quase duas horas a percorrer esta sacralização dos espaços onde por muitos anos, a duríssima vida de mineiro teve cenário.
Se não é só por oportunismo é interessanta que os cristãos rezem a Deus noas profundezas da Terra, mais perto de onde, a mitologia cristã colocou a morada do Diabo.
na mina de sal
já não há picaretas
só gregoriano.
Se não é só por oportunismo é interessanta que os cristãos rezem a Deus noas profundezas da Terra, mais perto de onde, a mitologia cristã colocou a morada do Diabo.
na mina de sal
já não há picaretas
só gregoriano.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Medellin 5
"Fué un plazer"
"Fué un infinito plazer"
"Con mucho gusto"
"Es un gran plazer"
"Que Diós le bendiga"
Ouvem-se estas frases centenas de vezes por dia nesta contraditória Colômbia: um dos países mais pobres da AL mas com um bom nível de alfabetização. As contradições estão latentes, prontas a saltar; depois de vencidas as resistências do medo (!!!!) as pessoas falam, por exemplo, de política com amargura e determinação.
água de côco -
o mais mode
depois do duro.
"Fué un infinito plazer"
"Con mucho gusto"
"Es un gran plazer"
"Que Diós le bendiga"
Ouvem-se estas frases centenas de vezes por dia nesta contraditória Colômbia: um dos países mais pobres da AL mas com um bom nível de alfabetização. As contradições estão latentes, prontas a saltar; depois de vencidas as resistências do medo (!!!!) as pessoas falam, por exemplo, de política com amargura e determinação.
água de côco -
o mais mode
depois do duro.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Medellin 4
Um murro no estômago, ou se quizerem um nó húmido na garganta.. Nas ruas centrais de Medellin um rapaz com talvez doze anos, sujíssimo, deitado no chão, talvez a pedir dinheiro. Tinha disquinésia (um tipo de Paralisia Cerebral) e olhava com os olhos fugidios mas significativos o movimento de pessoas no passeio. Estava sozinho, com as unhas enormes, cabelo inenarrável... um farrapo. Perguntei-lhe algo, não respondeu. Uma vendedora de rua ao lado disse "Dejelo... es un indigente". Talvez seja indigente mas porque o impediram de ser só "gente"? Às vezes a realidade devia vir embrulhada em algodão em rama... E ando eu práqui a pregar inclusão...
"pedras das calçadas -
estilhaços de sonhos
espalhados no chão"
"pedras das calçadas -
estilhaços de sonhos
espalhados no chão"
Medellin 3
Nas ruas de Medellin, ao meio dia, o sol está a pique, a prumo sob a nossa cabeça com toda a sua opulência e desdenhando as vãs protecções que intrepomos entre ele e nós. Lasca bem em cima e, a esquina, parece-me ver a própria re-encarnação de Aknathon (ou será Montesuma?)
não faço sombra -
como estarão
os girassóis?
não faço sombra -
como estarão
os girassóis?
Medellin 2
Fartei-me de treinar sem saber para chegar aqui: li o Garcia marquez, bebi café da Colômbia, dancei com a Xaquira, conheci as esculturas do Brotero... enfim e finalmente aquie stou a cerzir todos estas peças. É verdade sim, que se nota uma força telúrica nesta terra. Colombo um navegador de competência duvidosa não se merecia ter tanta e tão linda terra evocando o seu nome...
Por favor:
coca
cola.
Por favor:
coca
cola.
Medellin
vale de Aburra
prédios como formigas
no tronco dos pinheiros
acima das casas
e das nuvens
as montanhas.
prédios como formigas
no tronco dos pinheiros
acima das casas
e das nuvens
as montanhas.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Respeito
Nos anos 60 do século passado Otis Reading um fantástico intérprete de música "soul" cantava uma música chamada "Respect". O refrão (espelhando a época de luta pelos direitos civis que então se vivia) era "Give some respect". Era um negro a gritar aos quatro ventos o que queria.
Mas...
O respeito pode-se pedir? Pode-se dar? Eu acho que não.
O respeito é como o ar. não se dá por ele excepto quando ele deixa de ser "normal". "Que ar tão puro!", "Que ar tão poluído", "Que ar tão enovoado" "Precisamos de ventilação"...
O respeito é como o ar porque quando se fala dele é porque ele já não é o que era, ou melhor o que devia ser... natural. O respeito faz parte da pessoa e quando alguém pede respeito é porque já (irremediávelmente) o perdeu. Quando se diz que se tem respeito por alguém é porque se acha que talvez não se devesse (ou fosse possível) não o ter.
"Give me some respect", I don't have to give it to you. It's your's or... you lost it for good...
Que rosa!
não
cheira.
Mas...
O respeito pode-se pedir? Pode-se dar? Eu acho que não.
O respeito é como o ar. não se dá por ele excepto quando ele deixa de ser "normal". "Que ar tão puro!", "Que ar tão poluído", "Que ar tão enovoado" "Precisamos de ventilação"...
O respeito é como o ar porque quando se fala dele é porque ele já não é o que era, ou melhor o que devia ser... natural. O respeito faz parte da pessoa e quando alguém pede respeito é porque já (irremediávelmente) o perdeu. Quando se diz que se tem respeito por alguém é porque se acha que talvez não se devesse (ou fosse possível) não o ter.
"Give me some respect", I don't have to give it to you. It's your's or... you lost it for good...
Que rosa!
não
cheira.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Vida e água
Sempre ouvi esta associação "água é vida". Sempre a associei à produção da vida (a floresta versus o deserto). A água era a produtora da vida. Tudo bem!
Mas a água também é um parábola sobre a gestão da vida. Explicando: quando usamos para explicar o que fizemos, fazemos ou iremos fazer imagens, razões e interpretações que são fruto da nossa imaginação, isso quer dizer que estamos a encontrar caminhos para lidar com uma realidade que nos é incompreensível ou insuportável. E assim, a imaginação procura caminhos improváveis, impossíveis e criativos para encontrar uma lógica e uma razão para viver coerentemente.
A vida é pois como a água, sempre disposta a passar por cima, por baixo ou pelo lado qualquer obstáculo. O importante é a vigaem, é a força de viver. A realidade... bom... isso interessa menos do que esta força a seguir o seu caminho...
o chão
ficou empapado
dos dois lados da pedra
Mas a água também é um parábola sobre a gestão da vida. Explicando: quando usamos para explicar o que fizemos, fazemos ou iremos fazer imagens, razões e interpretações que são fruto da nossa imaginação, isso quer dizer que estamos a encontrar caminhos para lidar com uma realidade que nos é incompreensível ou insuportável. E assim, a imaginação procura caminhos improváveis, impossíveis e criativos para encontrar uma lógica e uma razão para viver coerentemente.
A vida é pois como a água, sempre disposta a passar por cima, por baixo ou pelo lado qualquer obstáculo. O importante é a vigaem, é a força de viver. A realidade... bom... isso interessa menos do que esta força a seguir o seu caminho...
o chão
ficou empapado
dos dois lados da pedra
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
O Porto
E que dizer desta religião laica é "ser do Porto" ou "fazer as coisas à moda do Porto"? D. António Ferreira Gomes um dos mais eminentes habitantes do Porto dizia que os burgueses do Porto não são contra o rei a favor do bispo ou contra o bispo e afavor do rei são contra ou a favor de todos quando se trata de defender os seus interesses (cit: Helder Pacheco, Rev. Notícias, 16.8.09) É esta talvez a raíz do "bairrismo" que só é globalizado porque o tempo obriga senão o melhor pão do mundo continuaria a ser o que era vendido na loja da esquina. Um amigo meu (um bilhete postal do Porto) dizia quando a equipa de futebol de Portugal jogava que isso lhe era quase indiferente, mas quando jogava o FCP...
"Fazer as coisas à moda do Porto" tem muito a ver com olhar antes de mais os interesses da família, da cidade, dos "partisans", de quem nos ajudou ou pode vir a ajudar. E sobretudo gritar bem alto sobre as tradições democráticas e de imparcialidade da cidade...
corre a água
nos regos do quintal:
que seca, hem?
"Fazer as coisas à moda do Porto" tem muito a ver com olhar antes de mais os interesses da família, da cidade, dos "partisans", de quem nos ajudou ou pode vir a ajudar. E sobretudo gritar bem alto sobre as tradições democráticas e de imparcialidade da cidade...
corre a água
nos regos do quintal:
que seca, hem?
domingo, 16 de agosto de 2009
O caminho estreito para o longínquo Norte...
Bashô escreveu o livro com este título onde recolheu as impressões da sua peregrinação poética pelo Japão ao longo de mais de 2.000 quilómetros.
A "National Geografic" publicou um artigo sobre "A senda de Bashô" e Michael Yamashita, fotógrafo, ilustrou o artigo com fotos fantásticas.
Podem ver estas fotos em:
http://ngm.nationalgeographic.com/2008/02/bashos-trail/yamashita-photography.html
(Esta indicação recebi-a do haijun brasileiro José Marins. Obrigado)
Podem encontrar este artigo e as fotos na revista National Geografic (edição portuguesa) de Fevereiro de 2008. O artigo chama-se "No rasto de um fantasma" (p.60).
A "National Geografic" publicou um artigo sobre "A senda de Bashô" e Michael Yamashita, fotógrafo, ilustrou o artigo com fotos fantásticas.
Podem ver estas fotos em:
http://ngm.nationalgeographic.com/2008/02/bashos-trail/yamashita-photography.html
(Esta indicação recebi-a do haijun brasileiro José Marins. Obrigado)
Podem encontrar este artigo e as fotos na revista National Geografic (edição portuguesa) de Fevereiro de 2008. O artigo chama-se "No rasto de um fantasma" (p.60).
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Falar
"Quem muito fala pouco acerta..." É um risco que correm as pessoas como eu. Falo tanto que a média do que eu digo é baixa em impacto, credibilidade, pertinência, etc. No fundo eu creio na palavra: no efeito apaziguador, de entendimento, de compreensão, de relação e pedagogia da palavra. Não necessáriamente da minha... Mas "da palavra".
Isto porque cada vez que se fala mostra-se o que somos, o que pensamos, o que tememos e como vemos o mundo. Isso é (quase sempre) útil aos outros porque a identidade que construímos é a custa da constatação das diferenças. E como se vêem as diferenças? Muito pela palavra.
Ainda que não reconhecendo que é necessariamente uma qualidade, vou continuar a falar demais...
meio-dia de Verão -
canta o melro desde a alba
só agora o ouvi
Isto porque cada vez que se fala mostra-se o que somos, o que pensamos, o que tememos e como vemos o mundo. Isso é (quase sempre) útil aos outros porque a identidade que construímos é a custa da constatação das diferenças. E como se vêem as diferenças? Muito pela palavra.
Ainda que não reconhecendo que é necessariamente uma qualidade, vou continuar a falar demais...
meio-dia de Verão -
canta o melro desde a alba
só agora o ouvi
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Espelho
Andar no mundo é como andar sobre a água: cada passada provoca um impacto que se (conforme o estado da água) se alarga em círculos de pequenas ondas.
É portanto grande a responsabilidade de existir: o que se faz e o que não se faz reprecute inexoravelmente para além da passada. Somos responsáveis e imputáveis. E "a ignorância da lei não justifica o seu não cumprimento"....
sete círculos
fez o meu pé na água -
eh pá! Tantos...
É portanto grande a responsabilidade de existir: o que se faz e o que não se faz reprecute inexoravelmente para além da passada. Somos responsáveis e imputáveis. E "a ignorância da lei não justifica o seu não cumprimento"....
sete círculos
fez o meu pé na água -
eh pá! Tantos...
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Tempos
O tempo é (com o espaço) um dos grandes organizadores da acção. Agir a "destempo" (antes ou depois) retira a pertinência e a utilidade à acção.
O livro de Qohéleth ou "O Eclesiastes", Salomão (cap. 3) fala do tempo como ele o via 1000 anos antes do nascimento de Jesus...
1
¶ Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
2
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
3
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
4
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
5
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
6
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
7
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
8
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Há tempo para tudo mas é a cada pessoa que compete julgar se "este" é o tempo de "juntar ou espalhar pedras".
De um e de outrou António Gideão dizia "... todo o tempo é de poesia"
quem me dera
agora ao meio-dia
o fresco da noite.
O livro de Qohéleth ou "O Eclesiastes", Salomão (cap. 3) fala do tempo como ele o via 1000 anos antes do nascimento de Jesus...
1
¶ Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
2
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
3
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
4
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
5
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
6
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
7
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
8
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Há tempo para tudo mas é a cada pessoa que compete julgar se "este" é o tempo de "juntar ou espalhar pedras".
De um e de outrou António Gideão dizia "... todo o tempo é de poesia"
quem me dera
agora ao meio-dia
o fresco da noite.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
10 de Agosto
Todos os dias podem ser marcos. Até podem ser "o vigésimo terceiro dia antes de acontecer alguma coisa " ou "11 dias depois de ter acontecido algo". Todos os dias podem ser marcos porque os marcos não estão nos dias mas nas pessoas.
Hoje 10 de Agosto de 2009 é para mim um marco. Estou certo que me movo, tal como as plantas para a luz, para a minha felicidade e para a dos que me rodeiam. E quanto ao resto... quem´somos para previsões?
Salvé dia 10 de Agosto de 2009!!!!!!!!!
levantei a pedra
e não vi nada debaixo dela -
só depois...
Hoje 10 de Agosto de 2009 é para mim um marco. Estou certo que me movo, tal como as plantas para a luz, para a minha felicidade e para a dos que me rodeiam. E quanto ao resto... quem´somos para previsões?
Salvé dia 10 de Agosto de 2009!!!!!!!!!
levantei a pedra
e não vi nada debaixo dela -
só depois...
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Tamanho
Ai o nosso tamanho.... em centímetros e em minutos. Pequenino, ínfimo, insignificante, mesmo. Como ampliar, dar grandeza, perenidade ao insignificante? Tantas as tentativas! A mitologia, a religião, a filosofia, mesmo a história nos procura dar a ideia que somos muito mais do que o "aqui e agora". E somos? Antes de responder... mas afinal quem é que vai dar a resposta? Se é o próprio... é suspeito, juiz em causa própria... se é outro... quem é esse outro? Portanto a resposta está inquinada mas mesmo assim, aí vai...
Somos mais do que o "aqui e agora" porque o "aqui e agora" são insignificantes que não valem o trabalho de um castanheiro a fazer uma castanha. Somos mais se conhecermos a insignificância. (Continuamos a ser insignificantes mas ao saber isso saímos da insignificância porque voamos além da biologia).
(Eh pá! Isto hoje está mesmo insignificantemente filosófico...)
a flor do castanheiro
já é um cacho de castanhas
só que não sabe.
Somos mais do que o "aqui e agora" porque o "aqui e agora" são insignificantes que não valem o trabalho de um castanheiro a fazer uma castanha. Somos mais se conhecermos a insignificância. (Continuamos a ser insignificantes mas ao saber isso saímos da insignificância porque voamos além da biologia).
(Eh pá! Isto hoje está mesmo insignificantemente filosófico...)
a flor do castanheiro
já é um cacho de castanhas
só que não sabe.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Luazona
A mítica Lua Cheia de Agosto... Foi ontem... A Carmen, uma amiga do Brasil que dormiu em casa, olhou pela janela o Tejo com ondas de metal e a grande Lua. Saudou-a: " Enquanto olhar para mim eu vou olhar pra você, Lua maravilhosa!".
tudo se vê
e está encoberto -
Lua de Agosto.
tudo se vê
e está encoberto -
Lua de Agosto.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Adrede
Mario Benedetti (1920-2009) publicou no fim da sua profíqua vida literária um livro de textos curtos com saborosas reflexões sobre o dia-a-dia. Intitulou este livro "Vivir Adrede" (2007, Santillana).
Confesso que a primeira coisa que fiz quando comprei o livro foi procurar saber o que queria dizer em espanhol "adrede". Descobri que quer dizer "de propósito", "expressamente". Fiquei foi surpreendido quando li que a mesma palavra existia e queria dizer o mesmo em português! Quer dizer, viajei via espanhol para conhecer mais uma palavrinha preciosa do infindável tesouro que é lingua que recebi de presente quando nasci.
adrede para te ver
por ruas desconhecidas
sem rumo.
Confesso que a primeira coisa que fiz quando comprei o livro foi procurar saber o que queria dizer em espanhol "adrede". Descobri que quer dizer "de propósito", "expressamente". Fiquei foi surpreendido quando li que a mesma palavra existia e queria dizer o mesmo em português! Quer dizer, viajei via espanhol para conhecer mais uma palavrinha preciosa do infindável tesouro que é lingua que recebi de presente quando nasci.
adrede para te ver
por ruas desconhecidas
sem rumo.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
O livro das caras
Queres ser meu amigo?
Tá bem!
Mas só se não te puder ver!
(Podes pôr a foto de outra pessoa).
Vou-te pôr
No meu livro das caras
Tás a ver?
"Livro das caras"
É só pra disfarçar...
A tua cara ao fim e ao cabo
não interessa muito...
O que me interessa
É ter-te a comunicar comigo
Quantas vezes?
Quantos contactos?
"Give me five!" "Tudo em cima!"
Eh pá que fixe!
Os meus outros amigos...
Eu gosto deles... mas...
Ás vezes é uma seca
Atrasam-se, chateiam-me,
andam chateados, andam "em baixo"...
Mas no livro das caras
No meu Face Book
Estão todos (e tantos!!!) lindos
bem-dispostos, disponíveis
Todos "up!"!
Mas hoje lembrei-me...
Que faces, quantas faces
terá o meu book
quando vier o frio?
Tá bem!
Mas só se não te puder ver!
(Podes pôr a foto de outra pessoa).
Vou-te pôr
No meu livro das caras
Tás a ver?
"Livro das caras"
É só pra disfarçar...
A tua cara ao fim e ao cabo
não interessa muito...
O que me interessa
É ter-te a comunicar comigo
Quantas vezes?
Quantos contactos?
"Give me five!" "Tudo em cima!"
Eh pá que fixe!
Os meus outros amigos...
Eu gosto deles... mas...
Ás vezes é uma seca
Atrasam-se, chateiam-me,
andam chateados, andam "em baixo"...
Mas no livro das caras
No meu Face Book
Estão todos (e tantos!!!) lindos
bem-dispostos, disponíveis
Todos "up!"!
Mas hoje lembrei-me...
Que faces, quantas faces
terá o meu book
quando vier o frio?
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Um sonho
era uma pedra com o tamanho formidável um monolito enorme como um gigantesco iceberg pousado numa imensa e deserta planície a pedra estava abraçada por uma teia de cabos de aço que partiam em todas as direcções do horizonte fiquei a olhar sem entender para este cenário esmagador e desolado de repente senti a presença de outra pessoa e quando me voltei vi uma criança que não teria mais de sete anos parecia um rapaz e estava vestido com uma túnica azul cobalto logo entendi que ele sabia o que era "aquilo" e perguntei sabes-me dizer o que é esta pedra e porque é que estão todas estas cordas amarradas a ela sem se saber onde terminam não é nada complicado disse ele com um sorriso os cabos vão para todo o mundo e estão sempre a ser puxadas por todas as forças que em cada lugar se encontrem: homens , mulheres, animais, máquinas toda a gente quer mover a pedra toda a gente pensa que pode mover a pedra na sua direcção mas como todos puxam muito e incessantemente anulam-se e a pedra quase nunca se move só às vezes quando todo um conjunto de cabos relaxa o se consegue um estremecimento da pedra o meu avô disse-me que numa noite de lua cheia já a viu mover-se cinco metros mas isso foi há muito tempo eu só ouço o ranger só vejo a tensão inútil destes milhares de cabos se as pessoas que os puxam ao menos vissem a pedra se eles ao menos pudessem falar uns com os outros se ao menos eles olhassem a lua quando ela está cheia
a última folha
caiu de árvore -
ventinho de nada
a última folha
caiu de árvore -
ventinho de nada
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Vigotski e a amizade
Lev Vigotski (1896-1934) foi um grande psicologo russo que iluminou a psicologia e a educação até hoje. Uma das suas criações teóricas mais geniais foi a Área de Desenvolvimento Potencial (ADP) que, numa rapidíssima definição, nos diz que a pessoa não é só aquilo que mostra numa determinada situação: depende de com quem está e se estiver com alguém que a possa incentivar e guiar na aquisição do conhecimento essa pessoa mostra o seu potencial, a tal ADP.
Enfim, lembrei-me do inspirador Vigotski a propósito da amizade. Como os nossos amigos expandem aquilo que somos! Como quando estamos com eles a nossa ADP fica enorme. A amizade é uma expansora da personalidade. Spazibo, Lev!
fica um galo
o pombo quando faz a corte
à pomba.
Enfim, lembrei-me do inspirador Vigotski a propósito da amizade. Como os nossos amigos expandem aquilo que somos! Como quando estamos com eles a nossa ADP fica enorme. A amizade é uma expansora da personalidade. Spazibo, Lev!
fica um galo
o pombo quando faz a corte
à pomba.
domingo, 26 de julho de 2009
Amigos
mas o que são afinal os amigos quando recebemos um banho com gente à nossa volta que nos exprime amizade ficamos a pensar mas afinal quem são os amigos eles são muitas vezes o nosso porto de abrigo as pessoas que dizem bem de nós quando os outros são indiferentes quando eles encontram para os nossos actos fins nobres onde o outros vêem calculismo ou até perversão também são expansores da nossa personalidade aquelas pessoas com as quais nós somos capazes de ir mais além de falar mais do que pensavamos que eram as nossas opiniões mas hoje eu queria falar do que são os amigos quando encorajam e sustentam o que nós somos e o que queríamos ser que se alegram com os nossos pequenos sucessos grande e por isso mesmo vulnerável é a amizade o único sentimento não exclusivo que junta em si o melhor que nos separa dos animais
campo de girassóis.
Até ao rio, só eles.
E a lua ao meio dia.
campo de girassóis.
Até ao rio, só eles.
E a lua ao meio dia.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Dois haiku em Coimbra
vento de Verão
levanta a saia rodada -
saia justa
seda na mão -
ou será só
a tua pele?
levanta a saia rodada -
saia justa
seda na mão -
ou será só
a tua pele?
terça-feira, 21 de julho de 2009
A viagem
de todas as metáforas sobre a vida a mais comum é certamente a da viagem a vida como peregrinação jornada caminho hoje acordei com esta metáfora no pensamento mas com um olhar particular para os caminhos com que se faz a viagem que se sempre na mesma direcção para as terras frias do Norte pensei sobretudo nos caminhos que usamos para lá chegar há sendas auto-estradas caminhos a descer caminhos a subir caminhos que nos fazem andar às voltas, caminhos com vistas maravilhosas túneis enfim caminhos de todas as configurações dificuldades e velocidades pensei de como nunca usamos um caminho só vamos saltando de uns para os outros e assim a viagem da vida parece às vezes difícil outras sem sentido outras rápida é também interessante o que é que nós quando estamos num caminho pensamo das pessoas que fazem a viagem noutros caminhos o que pensamos dos que vão rápido quando vamos lento o que pensamos de quem vai no túnel quando a nossa vista é boa o que pensamos de quem vai directo quando andamos às voltas é bom pensarmos que os caminhos não são sempre os mesmos e que já andamos em muitos e outros ainda nos esperam
do cimo da montanha
não se vê o amanhã -
fim de tarde...
do cimo da montanha
não se vê o amanhã -
fim de tarde...
domingo, 19 de julho de 2009
Partida
atesto a memória
e deixo o cais -
vou com as gaivotas
ou como se diria no Brasil...
completo a memória
e deixo o cais -
vou com as gaivotas
e deixo o cais -
vou com as gaivotas
ou como se diria no Brasil...
completo a memória
e deixo o cais -
vou com as gaivotas
quinta-feira, 16 de julho de 2009
O Poste
Das sessenta mil pessoas que se sentavam naquele estádio de futebol uma tinha uma preocupação certamente diferente de todas as outras. O Américo Santos estava sentado na parte das bancadas mais próxima do relvado e logo por detrás de uma das balizas. Na última semana tinha estado a trabalhar na estrutura daquela baliza. A fixação do poste ao solo tinha cedido e o Américo Santos fruto da sua fama de pedreiro competente e de confiança tinha sido chamado para resolver o problema. “Mas olhe, que isso tem de ficar bem e pronto depressa!” – disse-lhe o responsável do clube – “No próximo Domingo recebemos o nosso grande rival...”.
O Américo trabalhou o melhor que pode: diagnosticou a situação, preparou uma sólida base de betão, consolidou o solo e na quinta-feira tinha o trabalho pronto.
E ali estava ela no grande dia: estádio cheio, bandeiras, faixas, cânticos, mil cores e sons. E ele a olhar para a trave. Sabia que o trabalho estava bem feito mas...o solo seria suficientemente firme? O betão teria já secado? Os parafusos que tinha aplicado seriam suficientemente fortes? Sentia uma turvação só de pensar na vergonha e embaraço que seria a baliza cair a meio do jogo... nem queria pensar nisso...
Começou o jogo e com ele o sofrimento para o Américo. Parecia que todos os lances eram junto da “sua” baliza: Foi um forte remate ao poste... e a baliza abanou e aguentou... depois, na marcação de um canto, dois defesas encostaram-se ao poste... “Cuidadinho!” pensava o Américo. Já na segunda parte o guarda-redes sofreu um golo. Foi buscar a bola ao fundo da baliza e zangado deu um forte pontapé no poste. O Américo saltou da cadeira de olhos arregalados: “Que isso pá, tas parvo?”. Ao lado alguém ao lado respondeu “Olhe que o homem não teve culpa no golo”. O Américo olhou para o lado como se desse conta pela primeira vez que estava a ver um jogo de futebol.
E foram sobressaltos atrás de sobressaltos até ao fim do jogo. Até um defesa decidiu ir bater as chuteiras no poste para tirar a relva que lá tinha ficado presa... e quase no fim do jogo um defesa lançado em corrida agarrou-se ao poste para melhor travar.
O árbitro apitou finalmente para o fim do jogo. O Américo caiu pesadamente sobre a cadeira, suado, exausto pela tensão que tinha vivido e absolutamente alheado da exuberância que o rodeava. Deu conta que não sabia qual tinha sido o resultado do jogo. “Eh pá, não fique chateado!” – brincou um espectador ao lado –“Prá semana há mais...”. O Américo não respondeu mas pensou “Mas pelo menos já tenho a certeza que o cimento está seco!”.
O Américo trabalhou o melhor que pode: diagnosticou a situação, preparou uma sólida base de betão, consolidou o solo e na quinta-feira tinha o trabalho pronto.
E ali estava ela no grande dia: estádio cheio, bandeiras, faixas, cânticos, mil cores e sons. E ele a olhar para a trave. Sabia que o trabalho estava bem feito mas...o solo seria suficientemente firme? O betão teria já secado? Os parafusos que tinha aplicado seriam suficientemente fortes? Sentia uma turvação só de pensar na vergonha e embaraço que seria a baliza cair a meio do jogo... nem queria pensar nisso...
Começou o jogo e com ele o sofrimento para o Américo. Parecia que todos os lances eram junto da “sua” baliza: Foi um forte remate ao poste... e a baliza abanou e aguentou... depois, na marcação de um canto, dois defesas encostaram-se ao poste... “Cuidadinho!” pensava o Américo. Já na segunda parte o guarda-redes sofreu um golo. Foi buscar a bola ao fundo da baliza e zangado deu um forte pontapé no poste. O Américo saltou da cadeira de olhos arregalados: “Que isso pá, tas parvo?”. Ao lado alguém ao lado respondeu “Olhe que o homem não teve culpa no golo”. O Américo olhou para o lado como se desse conta pela primeira vez que estava a ver um jogo de futebol.
E foram sobressaltos atrás de sobressaltos até ao fim do jogo. Até um defesa decidiu ir bater as chuteiras no poste para tirar a relva que lá tinha ficado presa... e quase no fim do jogo um defesa lançado em corrida agarrou-se ao poste para melhor travar.
O árbitro apitou finalmente para o fim do jogo. O Américo caiu pesadamente sobre a cadeira, suado, exausto pela tensão que tinha vivido e absolutamente alheado da exuberância que o rodeava. Deu conta que não sabia qual tinha sido o resultado do jogo. “Eh pá, não fique chateado!” – brincou um espectador ao lado –“Prá semana há mais...”. O Américo não respondeu mas pensou “Mas pelo menos já tenho a certeza que o cimento está seco!”.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Egos
tanto trabalho nos deu a construir que não queremos largar o nosso ego por nada deste mundo assim falamos de forma enfática nos meus valores na honestidade que devo a mim mesmo nos valores que sempre me nortearam ou até no prosaico eu cá sou assim mesmo o interessante é ver que estas afirmações que parecem só dizer respeito a quem as profere são afinal uma arma de arremesso uma distinção pela superioridade para quem escuta ou de quem se fala é que a minha impoluta posição só faz sentido se cotejada com outras que são bem menos sérias honestas e autênticas ai os egos tanto tempo levaram a construir que vamos dispôr do mesmo tempo para os apagar
o pescador
tanto olhou a linha
que não viu a onda.
o pescador
tanto olhou a linha
que não viu a onda.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Mais 3 Fulgurantes...
frondosos braços -
todos os cantos dos pássaros
cabem lá.
contra a roupa justa:
libertem os prisioneiros!
corpo suado
cheira a sal
e lateja.
todos os cantos dos pássaros
cabem lá.
contra a roupa justa:
libertem os prisioneiros!
corpo suado
cheira a sal
e lateja.
Partida
crepúsculo de inverno -
escamas de sombra no rio
e o vento norte
winter dawn -
shadow's scales on the river
and the North wind
escamas de sombra no rio
e o vento norte
winter dawn -
shadow's scales on the river
and the North wind
segunda-feira, 13 de julho de 2009
3 Fulgurantes
Se o prazer foi todo seu
o que foi aquilo?
Que mulher discreta:
apertava a mão, dizia "Muito prazer!"
E não se notava mais nada...
Sentir é alma e pele
(ou será a mesma coisa?)
o que foi aquilo?
Que mulher discreta:
apertava a mão, dizia "Muito prazer!"
E não se notava mais nada...
Sentir é alma e pele
(ou será a mesma coisa?)
domingo, 12 de julho de 2009
Esqueci a tradução...
A tradução do haiku que vai ser publicado no "The Heron's Nest":
vagueando pela praia -
a onda recolhe e larga
os reflexos do sol.
vagueando pela praia -
a onda recolhe e larga
os reflexos do sol.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
The Heron's Nest
Já aqui tinha feito referência à superlativa qualidade da Revista americana "The Heron's Nest" - o ninho da Garça - na edição e crítica da poesia haiku.
Um dos haiku que o número de Setembro vai publicar é da minha autoria e escreve-se assim:
beachcombing . . .
a wave picks up and drops
the sun’s reflection.
David Rodrigues
Um dos haiku que o número de Setembro vai publicar é da minha autoria e escreve-se assim:
beachcombing . . .
a wave picks up and drops
the sun’s reflection.
David Rodrigues
sábado, 4 de julho de 2009
Sol
mil grãos flutuam
no primeiro raio de sol -
lá fora o bem-te-vi.
ou então...
frincha de sol
em silêncio mil grãos flutuam-
lá fora o bem-te-vi.
no primeiro raio de sol -
lá fora o bem-te-vi.
ou então...
frincha de sol
em silêncio mil grãos flutuam-
lá fora o bem-te-vi.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Farol
e nas sociedades contemporâneas há uma reverência acrescida pelos faróis quando tudo são dúvidas possibilidades alternativas caminhos prováveis o farol aparece convicto alto sólido e inexorávelmente certo que a costa está ali e que as indicações que dele provêem são inquestionáveis talvez por isso o "farolismo" religião que tem por deuses os faróis esteja tão em expansão através de pinturas, fotografias, textos e de uma admiração que passa rapidamente de estética para ética eu também gosto de faróis mas
asas de gaivota
quando passa a luz do farol
de novo a noite
asas de gaivota
quando passa a luz do farol
de novo a noite
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Crise II
Disse Jose Zapatero: "na crise, aterra como puderes".
Vamos levar isso em conta quando nos convidarem para voar...
atabalhoado
um pombo aterrou na pomba:
- Desculpe. É a crise...
Vamos levar isso em conta quando nos convidarem para voar...
atabalhoado
um pombo aterrou na pomba:
- Desculpe. É a crise...
terça-feira, 23 de junho de 2009
Crise...
A forma de escrita de haiku é por vezes muito desconcertante para pessoas que não estão habituadas a ler este tipo de poesia.
Um colega meu ao folhear o meu último livro e vendo o quão pequenos eram os textos em cada uma das páginas, disse meio a brincar meio a sério: "Em tempo de crise já viste quanto papel está aqui desprediçado?"
É verdade... mas eu prefiro pensar em quanta tinta eu economizei...
Um colega meu ao folhear o meu último livro e vendo o quão pequenos eram os textos em cada uma das páginas, disse meio a brincar meio a sério: "Em tempo de crise já viste quanto papel está aqui desprediçado?"
É verdade... mas eu prefiro pensar em quanta tinta eu economizei...
quarta-feira, 17 de junho de 2009
sábado, 13 de junho de 2009
Haibun de Veneza
na Bienal de Veneza uma exposiçao de arte contemporânea está determinada em mostrar outras escalas para os coisas do quotidiano formigas e louva-a-deus enormes parecem dinossauros olhos do tamanho de pneus de camião, patas como árvores deitadas uma menina puxa pela mão do pai vem ver vem ver e o pai resiste agora não vem ver insiste só um bocadinho o pai acede meio contrafeito e é guiado e arrastado pelo corpo de quatro anos vês e apontou para o chão não vejo nada olha bem olha melhor vês vês o pai agachou-se e no chão havia um bicho de conta
a menina
quando o navio se afasta
olha os peixinhos
a menina
olha a alga no mar
a menina
quando o navio se afasta
olha os peixinhos
a menina
olha a alga no mar
domingo, 7 de junho de 2009
Estrelinha
As coisas que se aprendem nas viagens... Calhou em conversa com um colega russo falar do ultra-poderoso e ultra-odiado Joseph Stalin. E não sei como veio à baila o significado de Stalin. Stalin em russo quer dizer "Estrelinha". É isso: o Senhor José Estrelinha!!! Foi este que liquidou, deportou e oprimiu milhões de pessoas? Com um nome destes? "Senhor Estrelinha" podia ser o nome do senhor que tem uma barbearia na esquina da rua mas nunca o do "Pai dos Povos" e o comandante do Exército vencedor de Hitler.
Estrelinha...ele há cada uma!!!
Estrelinha...ele há cada uma!!!
sábado, 6 de junho de 2009
Novosibirsk
A esquina da fachada do CityBank, uma placa de 1950 mostra dois soldados russos com os olhos no futuro a assegurar que o capitalismo nao passara.
Os pardais (oh, sempre os pardais) andam atarefados na relva do parque enquanto um musico improvisado canta a marcha nupcial para um casal de noivos dancar para os numerosos fotografos. Logo ao lado montam=se as bancas de uma festa do Partido Comunista cheia de bandeiras vermelhas, daquele vermelho. Tocam cantos revolucionarios num compact da Sony.
pardais indecisos
entre o verde
e o verme;lho.
Os pardais (oh, sempre os pardais) andam atarefados na relva do parque enquanto um musico improvisado canta a marcha nupcial para um casal de noivos dancar para os numerosos fotografos. Logo ao lado montam=se as bancas de uma festa do Partido Comunista cheia de bandeiras vermelhas, daquele vermelho. Tocam cantos revolucionarios num compact da Sony.
pardais indecisos
entre o verde
e o verme;lho.
domingo, 31 de maio de 2009
Jacarandá
jantar na Primavera -
flores de jacarandá
caem na mesa.
dinner in Spring
jacaranda flowers
fall on the table.
flores de jacarandá
caem na mesa.
dinner in Spring
jacaranda flowers
fall on the table.
sábado, 30 de maio de 2009
Aos punhos apontados para o céu
Hoje queria falar dos punhos apontados para o céu. Os punhos daquelas pessoas a que sofreram uma ofensa irreparável e injusta e que na agonia da injustiça apontam para o grande e impassível céu os seus infimos e desesperados punhos. Que esperar de quem se sentiu trespassado por uma injustiça que já está feita e para a qual não há remédio (um assassinato, um genocídio, uma calúnia, um crime ambiental, enfim, tantas...tantas...) ? E o punho apontado para o céu mostra a desproporção de forças, a formiga a levantar o punho para o elefante...
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Pedir
Pedir é apelar para as emoções da pessoa a quem se pede. É por isso que não se pede justiça (essa deveria ser racional e positiva) nem se deve pedir respeito. Pede-se carinho, atenção, generosidade. misericórdia, compaixão... pede-se uma oportunidade que pode não ser dada...
Pedir é de certa forma perguntar: "Está certo que está a ser humano e justo?" E perguntar não ofende (talvez até mobilize outras energias para tomar uma boa decisão).
Pedir é de certa forma perguntar: "Está certo que está a ser humano e justo?" E perguntar não ofende (talvez até mobilize outras energias para tomar uma boa decisão).
terça-feira, 26 de maio de 2009
Haibun
Definição da Haiku Society ofAmerica.
Definition of the Haiku Society of America as adopted at the Annual Meetingof the Society, New York City, 18 September 2004
A haibun is a terse, relatively short prose poem in the haikai style,usually including both lightly humorous and more serious elements. A haibunusually ends with a haiku.
Parece deprender-se que haikai é um estilo de escrita que pode exprimir-sede múltiplas formas (haiku, haibun, renga, tanka, etc.). A temática é muito alargada mas parece que temas do quotidiano e da viagem são os mais populares (e que foram extensivamente cultivados por Bashô). A este respeito pode-se consultar "Contemporary HaibunOnline" que tem uma boa e grande selecção de poetas contemporâneos.
Definition of the Haiku Society of America as adopted at the Annual Meetingof the Society, New York City, 18 September 2004
A haibun is a terse, relatively short prose poem in the haikai style,usually including both lightly humorous and more serious elements. A haibunusually ends with a haiku.
Parece deprender-se que haikai é um estilo de escrita que pode exprimir-sede múltiplas formas (haiku, haibun, renga, tanka, etc.). A temática é muito alargada mas parece que temas do quotidiano e da viagem são os mais populares (e que foram extensivamente cultivados por Bashô). A este respeito pode-se consultar "Contemporary HaibunOnline" que tem uma boa e grande selecção de poetas contemporâneos.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
João Benard da Costa
O que é a arte para além do imediato, da experiência presencial e instantânea, da fruição, do prazer ou da emoção do momento? O que é um livro além do momento, além do tempo, em que se lê? E uma pintura para além do que olha? E uma música para além do que se ouve?
Um possível resposta está nos sublimes cometários que JBC faz ao cinema, actualmente uma das mais efémeras formas de arte. Nas suas palavras o cinema adquire uma dignidade semelhante às grandes contribuições da arte e uma perenidade inesperada para quem corre a 16 imagens por segundo.
Obrigado JBC por ter acolhido o ciclo "As Imagens e as Pessoas com Deficiência" na sua Cinemateca. E vou sempre ler as suas palavras sobre cinema. Cinema com amor. "With eyes wide open".
Um possível resposta está nos sublimes cometários que JBC faz ao cinema, actualmente uma das mais efémeras formas de arte. Nas suas palavras o cinema adquire uma dignidade semelhante às grandes contribuições da arte e uma perenidade inesperada para quem corre a 16 imagens por segundo.
Obrigado JBC por ter acolhido o ciclo "As Imagens e as Pessoas com Deficiência" na sua Cinemateca. E vou sempre ler as suas palavras sobre cinema. Cinema com amor. "With eyes wide open".
terça-feira, 19 de maio de 2009
Mario Benedetti
Morreu Mário Benedetti. Há quatro anos atrás li a sua compilação "Inventário Uno" (poesia 1950-1985) um volume de 600 páginas e apreciei cada momento que passei a lê-la.
E a melhor homenagem a um poeta? Ler e abrir o coração aos seus versos. Como ele dizia:
Arte Poética
Que golpee y golpee
hasta que nadie
pueda ya hacerse el sordo
que golpee y golpee
hasta que el poeta
sepa
o por lo menos crea
que es a él
a quien llaman.
E a melhor homenagem a um poeta? Ler e abrir o coração aos seus versos. Como ele dizia:
Arte Poética
Que golpee y golpee
hasta que nadie
pueda ya hacerse el sordo
que golpee y golpee
hasta que el poeta
sepa
o por lo menos crea
que es a él
a quien llaman.
domingo, 17 de maio de 2009
"Cinquenta Xiaoling"
Hoje falamos dos vizinhos... não do Japão mas dos seus poderosos e inspirados vizinhos chineses.
Acabei de ler o livro de Zhang Kejiu (Ed. Campo de Letras) com o título "Cinquenta Xiaoling" tradução para português do poeta Albano Martins.
É um livro de uma poesia belíssima que, apesar de escrita no princípio do século XIV, mantém todo o seu viço e nos continua a emocionar pela sua humanidade e lirismo.
Deixo aqui um destes poemas com uma vénia ao autor e ao tradutor:
De leste a oeste partem e chegam os barcos, combate de formigas/
Bater de palmas, a dama mongol está embriagada/
Do poente chegam rumores de canções/
Uma núvem solitária atravessa a sombra dum pagode/
Vento de lótus na noite fresca, o céu é como água.
E um haiku meu (d'aprés Zhang Kejiu :
noite de Maio -
uma brisa de rosas
no meio da avenida.
Acabei de ler o livro de Zhang Kejiu (Ed. Campo de Letras) com o título "Cinquenta Xiaoling" tradução para português do poeta Albano Martins.
É um livro de uma poesia belíssima que, apesar de escrita no princípio do século XIV, mantém todo o seu viço e nos continua a emocionar pela sua humanidade e lirismo.
Deixo aqui um destes poemas com uma vénia ao autor e ao tradutor:
De leste a oeste partem e chegam os barcos, combate de formigas/
Bater de palmas, a dama mongol está embriagada/
Do poente chegam rumores de canções/
Uma núvem solitária atravessa a sombra dum pagode/
Vento de lótus na noite fresca, o céu é como água.
E um haiku meu (d'aprés Zhang Kejiu :
noite de Maio -
uma brisa de rosas
no meio da avenida.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Uma rua de Alfama / A street in Alfama
o Tejo -
no fim da sombra da rua
um muro de luz azul.
the Tagus-
in the end of the street's shadow
a wall of blue light
no fim da sombra da rua
um muro de luz azul.
the Tagus-
in the end of the street's shadow
a wall of blue light
terça-feira, 12 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Ainda Adriana Lisboa...
Um parágrafo do livro Rakushisha (pg. 121, ed. Quetzal):
(trata-se uma empregada de uma loja no Japão a fazer um embrulho de presente ("puresentu" em japonês):
"Ela parecia empenhada numa manifestação de origami. Haruki se perguntava o que sairia dali. Uma estrela. Uma cigarra. Um capacete de samurai. Quando o número de dobras e de vincos no papel se mostrou suficiente à moça de mãos magras, ela pegou o livro e o acomodou sobre ele de banda. Então continuou com as dobraduras, rapidamente mas aparentando calma, eficientemente mas aparentando concentração, gentilmente mas aparentando segurança. Um tanto quanto mecanicamente, mas aparentando afeto".
Estão a ver porque é que vale a pena ler o livro para sorver estes "relances da alma japonesa"?
(trata-se uma empregada de uma loja no Japão a fazer um embrulho de presente ("puresentu" em japonês):
"Ela parecia empenhada numa manifestação de origami. Haruki se perguntava o que sairia dali. Uma estrela. Uma cigarra. Um capacete de samurai. Quando o número de dobras e de vincos no papel se mostrou suficiente à moça de mãos magras, ela pegou o livro e o acomodou sobre ele de banda. Então continuou com as dobraduras, rapidamente mas aparentando calma, eficientemente mas aparentando concentração, gentilmente mas aparentando segurança. Um tanto quanto mecanicamente, mas aparentando afeto".
Estão a ver porque é que vale a pena ler o livro para sorver estes "relances da alma japonesa"?
sábado, 9 de maio de 2009
Uma pergunta
Existe "estado de sítio", "estado lastimoso", "estado de graça" e tantos tantos mais estados... Recentemente falava-se entre poetas de haiku no "estado de haikai" significando uma predisposição de espírito, de "inspiração" ("I love this word"!) para escrever haiku.
Este "estado de haiku" existe mesmo? Se existe como é que pode ser definido? E que composição tem? Quantas partes de inspiração e quantas partes de transpiração?
Escrevi este haiku e não sei se estava ou não em "estado de haiku". Quem ajuda?
praia ao fim da tarde -
borboletas e gaivotas
no adeus do sol
(Na praia estava de certeza. E que linda que a praia está na Primavera!)
Este "estado de haiku" existe mesmo? Se existe como é que pode ser definido? E que composição tem? Quantas partes de inspiração e quantas partes de transpiração?
Escrevi este haiku e não sei se estava ou não em "estado de haiku". Quem ajuda?
praia ao fim da tarde -
borboletas e gaivotas
no adeus do sol
(Na praia estava de certeza. E que linda que a praia está na Primavera!)
sexta-feira, 8 de maio de 2009
I Ching
É este o título de um lindíssimo texto ("haikulike") que Yvette Centeno publicou no seu blog "literaturaearte"
Eu arrisco mesmo uma tradução em português (espero que sem traição).
The wind
in its cloud
The tree
in its root
O vento
na sua núvem;
a árvore
na sua raíz
Eu arrisco mesmo uma tradução em português (espero que sem traição).
The wind
in its cloud
The tree
in its root
O vento
na sua núvem;
a árvore
na sua raíz
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Senryu
Nem só de haiku vive este blog. Um amigo perguntou-me se os haiku tinham que ser sempre tão "sérios" e ligados a um certo formalismo. A minha opinião é que não: o moderno haiku é bem mais aberto e livre do que o haiku tradicional que vem de Bashô. Mas quem quiser escrever tercetos sem dores de consciência que pode estar a "assassinar" o haiku tem a possibilidade de escrever "Senryu". Abaixo encontram uma definição de senriu e um escrito por mim.
Senryū is a poem that is written in a similar form and emphasizes irony, satire, humor, and human foibles rather than seasons; it may or may not contain a kigo and kireji.
Qual é o espanto?
Afinal ele só é
melhor do que eu!
Senryū is a poem that is written in a similar form and emphasizes irony, satire, humor, and human foibles rather than seasons; it may or may not contain a kigo and kireji.
Qual é o espanto?
Afinal ele só é
melhor do que eu!
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Profetas em terra natal...
A mensagem postada aqui sobre Adriana Lisboa foi também enviada para a lista de 180 membros que se interessam pelo haiku no Brasil. Sabem quantas reacções apareceram? Nenhuma.
E daqui se podem tirar pelo menos três possíveis conclusões: 1) que a informação que eu dei era completamente redundante e todos conheciam bem o trabalho desta escritora, 2) que ninguém é profeta na sua própria terra, 3) que o assunto não vale a pena. Desta a única que me parece descabida é a última: é que vale mesmo a pena... tanto como cantar os bem-te-vi.
E daqui se podem tirar pelo menos três possíveis conclusões: 1) que a informação que eu dei era completamente redundante e todos conheciam bem o trabalho desta escritora, 2) que ninguém é profeta na sua própria terra, 3) que o assunto não vale a pena. Desta a única que me parece descabida é a última: é que vale mesmo a pena... tanto como cantar os bem-te-vi.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Ventura
Hoje,
faz-me cócegas no corpo
um frémito de felicidade.
Eu explico:
esta semana
a lotaria dá um jackpot
de 129 milhões.
Uffffffffff!
De todas as possibilidades
que me lembro
e que me podem
trazer a felicidade
esta é uma das mais prováveis.
Quem sabe
como estará a minha saúde
amanhã?
(ultimamente ando mais vulnerável)
E como estarão os que eu amo?
(idem aspas)
O António (meu amigo de Espanha)
morreu há dois dias
sem nada o fazer prever...
Acidentes de carro,
(estou no epicentro)
notificações das finanças,
(será que eles não me esquecem?)
enfim...
Tudo de mal pode
certamente acontecer.
Mas o bem,
também...
(Oh! Como está fino o ar da manhã!)
129!!! É obra!
faz-me cócegas no corpo
um frémito de felicidade.
Eu explico:
esta semana
a lotaria dá um jackpot
de 129 milhões.
Uffffffffff!
De todas as possibilidades
que me lembro
e que me podem
trazer a felicidade
esta é uma das mais prováveis.
Quem sabe
como estará a minha saúde
amanhã?
(ultimamente ando mais vulnerável)
E como estarão os que eu amo?
(idem aspas)
O António (meu amigo de Espanha)
morreu há dois dias
sem nada o fazer prever...
Acidentes de carro,
(estou no epicentro)
notificações das finanças,
(será que eles não me esquecem?)
enfim...
Tudo de mal pode
certamente acontecer.
Mas o bem,
também...
(Oh! Como está fino o ar da manhã!)
129!!! É obra!
segunda-feira, 4 de maio de 2009
domingo, 3 de maio de 2009
Adriana Lisboa
Caros amigos:
Num blog qualquer informação corre sempre o risco de ser útil para alguns e redundante e óbvia para outros. Sabendo disto gostaria de partilhar convosco o grande prazer que tive em ler o último livro editado em Portugal da escritora carioca Adriana Lisboa (Prémio José Saramago em 2003) . O livro chama-se Rakushisha que como saberão foi o nome que o poeta japonês Mukai Kyorai deu à sua cabana depois de uma noite de temporal em que os caquis das árvores que a rodeavam se terem perdido. O nome quer mesmo dizer “Caquis Caídos”.
Adriana Lisboa tem uma escrita simultaneamente firme e leve e a desenvoltura com que desenvolve a acção é uma verdadeira escultura do tempo. Claro que o livro está cheio de referências à cultura japonesa, a Bashô e ao haicai. Para quem quiser conhecer mais sobre esta grande escritora brasileira pode ir a http://www.adrianalisboa.com.br/
E outra informação mais seleccionada: Adriana Lisboa tem um blog que se chama assim mesmo: Caquis caídos.
Ah para quem não sabe, "caqui" é o que nós chamamos em Portugal "dióspiro".
David Rodrigues
PS. Outra versão do haiku de ontem:
como uma mão
vento acaricia a erva:
pêlo de gato.
as a hand,
wind caresses the grass:
cat's fur...
Num blog qualquer informação corre sempre o risco de ser útil para alguns e redundante e óbvia para outros. Sabendo disto gostaria de partilhar convosco o grande prazer que tive em ler o último livro editado em Portugal da escritora carioca Adriana Lisboa (Prémio José Saramago em 2003) . O livro chama-se Rakushisha que como saberão foi o nome que o poeta japonês Mukai Kyorai deu à sua cabana depois de uma noite de temporal em que os caquis das árvores que a rodeavam se terem perdido. O nome quer mesmo dizer “Caquis Caídos”.
Adriana Lisboa tem uma escrita simultaneamente firme e leve e a desenvoltura com que desenvolve a acção é uma verdadeira escultura do tempo. Claro que o livro está cheio de referências à cultura japonesa, a Bashô e ao haicai. Para quem quiser conhecer mais sobre esta grande escritora brasileira pode ir a http://www.adrianalisboa.com.br/
E outra informação mais seleccionada: Adriana Lisboa tem um blog que se chama assim mesmo: Caquis caídos.
Ah para quem não sabe, "caqui" é o que nós chamamos em Portugal "dióspiro".
David Rodrigues
PS. Outra versão do haiku de ontem:
como uma mão
vento acaricia a erva:
pêlo de gato.
as a hand,
wind caresses the grass:
cat's fur...
sábado, 2 de maio de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
7leitores7
Quem gosta de literaura e de poesia (quer dizer todos os eventuais leitores destas linhas) deveriam colocar nos seus "favoritos" o blog www.7leitores.blogspot.com
Como verão é um excelente blog que actualidades e comentários sobre panorama editorial português. Entre os 7 leitores que se revesam nos comentários destaco Albano Estrela, meu professor de Ciências de Educação e editor da Editora "Indícios de Oiro".
Num comentário que publicou sobre o meu livro "Respirar: 101 haiku", Albano Estrela encerrou com as seguintes palavras:
Estamos, pois, perante um poeta de nítida inspiração lírica, que se expressa de uma forma original e que revela uma consciência literária que não é habitual entre os nossos poetas. A divisão do seu livro nos três capítulos que mencionei é prova provada do que afirmei e denuncia uma postura reflexiva e crítica sobre a sua própria escrita, o que não é, de modo algum, um dos seus méritos menores.
É verdade! Reflexivo e crítico lá isso sou... mas o resto é gentileza dele...
Como verão é um excelente blog que actualidades e comentários sobre panorama editorial português. Entre os 7 leitores que se revesam nos comentários destaco Albano Estrela, meu professor de Ciências de Educação e editor da Editora "Indícios de Oiro".
Num comentário que publicou sobre o meu livro "Respirar: 101 haiku", Albano Estrela encerrou com as seguintes palavras:
Estamos, pois, perante um poeta de nítida inspiração lírica, que se expressa de uma forma original e que revela uma consciência literária que não é habitual entre os nossos poetas. A divisão do seu livro nos três capítulos que mencionei é prova provada do que afirmei e denuncia uma postura reflexiva e crítica sobre a sua própria escrita, o que não é, de modo algum, um dos seus méritos menores.
É verdade! Reflexivo e crítico lá isso sou... mas o resto é gentileza dele...
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Baixa mar
ao ver a maré vazia
a menina disse:
-Já sei o que é o mar.
os peixes
esperam na poça de água
que o mar volte.
Maré baixa:
Ai foi alí
que eu bati o pé!
a menina disse:
-Já sei o que é o mar.
os peixes
esperam na poça de água
que o mar volte.
Maré baixa:
Ai foi alí
que eu bati o pé!
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Caracóis
o caracol
deixa na pedra
um rasto de prata
-É tarde,
tenho de ir para casa:
desculpa de caracol.
deixa na pedra
um rasto de prata
-É tarde,
tenho de ir para casa:
desculpa de caracol.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Haibun
é isso... o intérprete faz toda a diferença não basta o joão sebastião é preciso alguém que lhe penetre na alma a interprete e depois nos entregue o resultado mastigado duas vezes criado duas vezes sonhado duas vezes transmitido duas vezes para o nosso acolhimento hoje ao fim da tarde com o sol baixo já a dourar as paredes das casas ouvi uma das trinta preciosas variações (talvez por isso chamadas Goldberg) transfigurada pelos dedos de ouro de Tatiana Nicolaieva
borboletas
pousam à vez no piano
tarde dourada
borboletas
pousam à vez no piano
tarde dourada
domingo, 19 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Panta Rei
na margem
acelero o passo para ver
a corrente.
I walk fast the bank
to know
how the river flows
acelero o passo para ver
a corrente.
I walk fast the bank
to know
how the river flows
sexta-feira, 10 de abril de 2009
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Lua de 9 de Abril
na escuridão
a lua vem comigo
mas eu não vou com ela.
in the darkness
the moon follows me
but I don't walk with her.
a lua vem comigo
mas eu não vou com ela.
in the darkness
the moon follows me
but I don't walk with her.
terça-feira, 7 de abril de 2009
O Haiku e a ambiguidade
Sem ser um "quebra cabeças" o haiku beneficia do exercício da ambiguidade. Talvez esta ambiguidade esteja mais presente do que o que se pensa: o confronto entre as referências do poeta e do leitor pode emprestar novos matizes à escrita.
Mas há também a ambiguidade que o poeta procura ao usar expressões que eu gostaria de chamar "tridimensionais" porque podem, depois de "rodadas" pela leitura, apresentar aspectos novos.
Escrevi um haiku sobre Lisboa na Primavera, que me alertou para esta ambiguidade. Deixo-o aqui. "Cherchez la famme!":
nos beirais
pardais ao sol -
flores e mar.
Mas há também a ambiguidade que o poeta procura ao usar expressões que eu gostaria de chamar "tridimensionais" porque podem, depois de "rodadas" pela leitura, apresentar aspectos novos.
Escrevi um haiku sobre Lisboa na Primavera, que me alertou para esta ambiguidade. Deixo-o aqui. "Cherchez la famme!":
nos beirais
pardais ao sol -
flores e mar.
domingo, 5 de abril de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
São Paulo
Estiveste em São Paulo?
Em que São Paulo?
Have you been in São Paulo?
In which São Paulo?
Velasquez nos trópicos -
e eu esmagado
pelo Duque de Olivares.
Velasquez in the Tropics -
I felt smashed
by the Duke of Olivares.
Em que São Paulo?
Have you been in São Paulo?
In which São Paulo?
Velasquez nos trópicos -
e eu esmagado
pelo Duque de Olivares.
Velasquez in the Tropics -
I felt smashed
by the Duke of Olivares.
terça-feira, 31 de março de 2009
Levar-se a sério...
Quem é o melhor julgados dos nossos actos e do nosso mérito? "Os outros" dirão uns... Justificam que somos maus julgadores em causa própria e só a opinião dos outros pode dar mais objectividade. Contra este argumento temos os relatos da história de tantos criadores que foram ignorados e mesmo ridicularizados durante a sua vida e só mais tarde encontraram reconhecimento da sua obra. "Nós própios" responderão outras pessoas justificando que só nós sabemos em profundidade as motivações, as intenções que a criação tem. Contra este argumento temos aqueles criadores enfatuados para quem o julgamento benévolo que fazem de si é o único aceitável. Em que ficamos?
Acredito na educação. Quem tiver conhecido mundo suficiente, quem tiver descortinado a complexidade da sociedade, dos valores e das produções poderá, penso, ficar munido de um julgamente equilibrado sobre as suas próprias produções. E aí sim acredito que é o próprio o melhor julgador da sua produção. É ele que ao estar perfeitamente identificado com as emoções que levaram à obra pode melhor colocá-la numa escala de valor. Não a modéstia hipócrita nem a desbragada vanglória. Tão só a autenticidade e a honestidade do que se faz.
Levar-se a sério? Tem dias...
Acredito na educação. Quem tiver conhecido mundo suficiente, quem tiver descortinado a complexidade da sociedade, dos valores e das produções poderá, penso, ficar munido de um julgamente equilibrado sobre as suas próprias produções. E aí sim acredito que é o próprio o melhor julgador da sua produção. É ele que ao estar perfeitamente identificado com as emoções que levaram à obra pode melhor colocá-la numa escala de valor. Não a modéstia hipócrita nem a desbragada vanglória. Tão só a autenticidade e a honestidade do que se faz.
Levar-se a sério? Tem dias...
segunda-feira, 30 de março de 2009
Mar
a quilha abre a água
e o vento na vela
completa o silêncio.
cai no horizonte
a cortina de núvens -
vem mais dia amanhã?
e o vento na vela
completa o silêncio.
cai no horizonte
a cortina de núvens -
vem mais dia amanhã?
domingo, 29 de março de 2009
Sacadas...
Caros amigos:
Já aqui falei da inesperada e fulgurante pontaria com que os brasileiros usam a lingua (portuguesa). Cheguei ontem ao Brasil e já tenho história para contar. Ao virar de esquina, uma clínica veterinátia. Qual o nome? Tome bem nota:
CLINICÃO & GATO
Genial, não é?
Já aqui falei da inesperada e fulgurante pontaria com que os brasileiros usam a lingua (portuguesa). Cheguei ontem ao Brasil e já tenho história para contar. Ao virar de esquina, uma clínica veterinátia. Qual o nome? Tome bem nota:
CLINICÃO & GATO
Genial, não é?
quarta-feira, 25 de março de 2009
Um susto de saúde
Lua de Abril -
a sombra atrás de mim
passou para a minha frente.
April's Moon -
the shadow behind
is now in front of me.
a sombra atrás de mim
passou para a minha frente.
April's Moon -
the shadow behind
is now in front of me.
domingo, 22 de março de 2009
426.000
Hoje, no primeiro dia da Primavera, interessa olhar a Natureza mas olhá-la de "olhos abertos". Pensar em que é que o nosso modelos de desenvolvimento é anti-Natureza, anti-humano e anti-haiku.
Olhem este dado: nos Estados Unidos todos os dias são deitados fora 426.000 telemóveis para serem trocados por modelos mais modernos. Leu bem: 426.000!
Nunca é demais apelar a uma conduta pessoal que seja verdadeiramente coerente e comprometida com a natureza e com a solidariedade. Afinal não é só quando escrevemos haiku que devemos er frugais...
A poesia sobre a Natureza (e certamente o haiku) não a deve olhar como se nada de grave se esteja a passar, como se a Natureza continue a ser a perene, inexpugnável e olímpica matriarca.
O meu telemóvel tem três anos e não o vou trocar enquanto ele funcionar. É pouco, não é? Mas é.
Olhem este dado: nos Estados Unidos todos os dias são deitados fora 426.000 telemóveis para serem trocados por modelos mais modernos. Leu bem: 426.000!
Nunca é demais apelar a uma conduta pessoal que seja verdadeiramente coerente e comprometida com a natureza e com a solidariedade. Afinal não é só quando escrevemos haiku que devemos er frugais...
A poesia sobre a Natureza (e certamente o haiku) não a deve olhar como se nada de grave se esteja a passar, como se a Natureza continue a ser a perene, inexpugnável e olímpica matriarca.
O meu telemóvel tem três anos e não o vou trocar enquanto ele funcionar. É pouco, não é? Mas é.
Sakura
(clique na foto para a tornar maior)
No Japão celebra-se no primeiro dia de Primavera o Hanami - "a contemplação das flores".
Estamos em Portugal rodeados por uma Primavera exuberante de cores, sons, cheiros, formas,... Deixo aqui duas fotos que tirei ontem no Jadim japonês de Belém que está em re-estruturação. Mas as cerejeiras não faltaram ao chamamento da Primavera!
sexta-feira, 20 de março de 2009
Ela está aí!!!
Quem havia de ser? A Primavera!!! E com ela o Dia Mundial da Poesia. O dia fundador e primevo deste blog. É amanhã!
Vou lançar um desafio: mandem um (ou mais) haiku que tenha o perfume de mar, ou de viagem ou de horizonte.
Eu deixo um aqui para animar as hostes...
Só o olhar
é que não passou para lá
do horizonte.
Vou lançar um desafio: mandem um (ou mais) haiku que tenha o perfume de mar, ou de viagem ou de horizonte.
Eu deixo um aqui para animar as hostes...
Só o olhar
é que não passou para lá
do horizonte.
quarta-feira, 18 de março de 2009
A intransigência dos velhos
Escrevi antes sobre a avareza dos pobres. Hoje é outro "post" "politicamente incorrecto".
Presenciei uma cena em que um automobilista foi insultado por um idoso que estava a atravessar a rua (fora da passadeira). Apesar de o carro ter parado, o senhor idoso não se coibiu de maltratar o condutor.
E frequentemente se assite a episódios destes em que os idosos em nome da defesa dos seus direitos e prioridades atropelam os direitos e as prioridades dos outros. Acham que serem idosos lhes dá todos os direitos e lhes permite todas as intrasigências e os livra de serem educados e respeitadores.
O velho sem dentes
assambarcou toda a carne
ficamos a olhar...
Presenciei uma cena em que um automobilista foi insultado por um idoso que estava a atravessar a rua (fora da passadeira). Apesar de o carro ter parado, o senhor idoso não se coibiu de maltratar o condutor.
E frequentemente se assite a episódios destes em que os idosos em nome da defesa dos seus direitos e prioridades atropelam os direitos e as prioridades dos outros. Acham que serem idosos lhes dá todos os direitos e lhes permite todas as intrasigências e os livra de serem educados e respeitadores.
O velho sem dentes
assambarcou toda a carne
ficamos a olhar...
segunda-feira, 16 de março de 2009
A avareza dos pobres
Muito se fala (certamente inspirados na parábola que Jesus contou sobre a esmola da viúva) na generosidade dos pobres e na avareza dos ricos. Há milhares de histórias que parecem apontar para um maior desprendimento e disponibilidade de partilhar de quem tem pouco. Aqui os pobres se transcendem, e vemos o quanto o pouco com amor dá em muito.
Mas hoje queria falar da mesquinhez e da avareza dos pobres. Eles não estão eles imunes a este comportamento. E encontramos pessoas tão ciosas do quase nada que têm que este quase nada reduz-se a nada mesmo. Este apego febril ao quase nada que se possui é uma triste parábola sobre a grande solidão e insignificância da vida.
o naco de unto
fechado na salgadeira
cheira a ranço.
Mas hoje queria falar da mesquinhez e da avareza dos pobres. Eles não estão eles imunes a este comportamento. E encontramos pessoas tão ciosas do quase nada que têm que este quase nada reduz-se a nada mesmo. Este apego febril ao quase nada que se possui é uma triste parábola sobre a grande solidão e insignificância da vida.
o naco de unto
fechado na salgadeira
cheira a ranço.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Sobre os enganos...
estrela cadente -
depressa: um desejo!
Ah! É um avião!
Agora
que entortei o corpo
o terno assenta bem.
apontei à crina
mas a pedra bateu no casco
do cavalo.
depressa: um desejo!
Ah! É um avião!
Agora
que entortei o corpo
o terno assenta bem.
apontei à crina
mas a pedra bateu no casco
do cavalo.
quarta-feira, 11 de março de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
8 e 80
Dizia uma jovem com uma pequena minissaia: "Sabe? Eu cá sou de extremos: daqui para baixo toda a gente pode ver, mas daqui para cima... é um clube seleccionado!". E está bem... só que a travagem é tão brusca que temo que quem olhar tenha que pôr cinto de segurança e usar apoio cervical...
Clima de Primavera
gotas de chuva
diamantes de sol
nos meus ombros.
rain drops
sun diamonds
on my shoulders.
diamantes de sol
nos meus ombros.
rain drops
sun diamonds
on my shoulders.
terça-feira, 3 de março de 2009
O gosto
Eu sei, eu sei, que não é um haiku... mas aqui fica um jogo de palavras (a tal "sacada") que fala no sentido do gosto (ou será no gosto do sentido?).
degustar
o gosto do desgosto?
Não gosto.
degustar
o gosto do desgosto?
Não gosto.
Cheiro de ar...
manhã de Primavera -
o sabor do pão
com uma janela aberta.
spring morning -
the taste of bread
with a window open
o sabor do pão
com uma janela aberta.
spring morning -
the taste of bread
with a window open
domingo, 1 de março de 2009
O Ninho da Garça
Já aqui fiz referência num post anterior à superlativa qualidade de uma revista de haiku americana chamada "The Heron's Nest". Acaba de ser posto na net o número electrónico (pode-se também assinar o exemplar impresso) que tem, como seria de esperar, excelentes poesias.
Para quem quiser dar uma olhada aqui fica o endereço:
http://www.theheronsnest.com/
Para quem quiser dar uma olhada aqui fica o endereço:
http://www.theheronsnest.com/
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