Este sol de Outono
recorda mais o Verão
que o Inverno.
This Fall's sun
reminds me more the Summer
than the Winter.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Um não haiku A "non" Haiku
Queimei as pontes
que me trouxeram aqui
nevoeiro à frente.
I burned the bridges
that brought me here
fog ahead.
que me trouxeram aqui
nevoeiro à frente.
I burned the bridges
that brought me here
fog ahead.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Dia 8 de Outubro
Ontem, como previsto e aqui anunciado, aconteceu a oficina de Haiku na semana "Portugal ao encontro do Japão" na Sociedade de Geografia de Lisboa. Eu e a Leonilda Alfarrobinha durante quase duas horas falamos e ilustramos o que é, para nós, o haiku. Desafiamos os participantes para escrever um haiku de Outono e depois comentamos. Fica aqui para registo um belo haiku escrito por uma das participantes, Rosa Maria Shimizu
Folhas de fogo
nos socalcos do Douro
fim da vindima.
Outra das participantes, Genoveva Faísca, escreveu um outro haiku que, por eu não me lembrar exactamente da forma com que ela o escreveu, aqui o recrio, com um sorriso:
Redondo o mundo:
uma planície de cores
na mesa do geógrafo.
Folhas de fogo
nos socalcos do Douro
fim da vindima.
Outra das participantes, Genoveva Faísca, escreveu um outro haiku que, por eu não me lembrar exactamente da forma com que ela o escreveu, aqui o recrio, com um sorriso:
Redondo o mundo:
uma planície de cores
na mesa do geógrafo.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Sociedade de Geografia
Ontem na Sociedade de Geografia de Lisboa houve uma sessão de homenagem ao embaixador Martins Janeira grande estudioso e divulgador da obra de Wenceslau de Moraes. A sessão foi interessantíssima assim como a exposição que está patente esta semana da SPL que tem para além numerosos documentos do embaixador Martins Janeira e do consul Wenceslau de Moraes, um conjunto lindíssimo de gravuras japonesas (Utamaro, Hirosigue, Hokusai, etc.).
domingo, 5 de outubro de 2008
Natureza
Montanha e céu.
Vesti-me de verde e azul
mas não ficou bem.
Mountain and sky.
I dressed of green and blue
but didn't match.
Vesti-me de verde e azul
mas não ficou bem.
Mountain and sky.
I dressed of green and blue
but didn't match.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Noite de chuva / Rainy night
Chuva mansa
bafo quente da cama
no meu pescoço.
Quiet rain
and the hot buff of the bed
on my neck.
bafo quente da cama
no meu pescoço.
Quiet rain
and the hot buff of the bed
on my neck.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Dizer o suficiente...
A poesia haiku procura a frugalidade das palavras. Um exagero e um erro seria considerar que qualquer forma menos frugal seria redundante ou inútil... Cada coisa no seu lugar...
Vem isto a propósito de um poema que escrevi e do qual saiu um haiku. Neste caso, parece que o essencial ficou plasmado no haiku. Mas, nada como ler:
Na última noite
em que o sonho era
ainda possível,
quiz atrasar a chegada do sol.
Mas recebi a inexorável manhã
como um jorro de água
limpa e óbvia
que embebeu o chão
e o preparou para receber
o próximo sonho.
E agora leiam o haiku que foi postado ontem.
Vem isto a propósito de um poema que escrevi e do qual saiu um haiku. Neste caso, parece que o essencial ficou plasmado no haiku. Mas, nada como ler:
Na última noite
em que o sonho era
ainda possível,
quiz atrasar a chegada do sol.
Mas recebi a inexorável manhã
como um jorro de água
limpa e óbvia
que embebeu o chão
e o preparou para receber
o próximo sonho.
E agora leiam o haiku que foi postado ontem.
sábado, 27 de setembro de 2008
Ontem
o húmus
para o sonho de hoje
é o sonho de ontem.
the humus
for today's dream
is the dream of yesterday.
para o sonho de hoje
é o sonho de ontem.
the humus
for today's dream
is the dream of yesterday.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Ver o mundo através de... To look at the world through...
Aprendi que na medicina tradicional chinesa o doente quando encontra o médico não aponta para o seu corpo mas para um boneco para lhe dizer onde se situam as suas queixas.
Lembrei-me disto a propósito do haiku. No haiku reforça-se a sugestão em lugar da descrição. O poeta de haiku usa a Natureza tal como o doente usa o boneco: para falar de si, para desenhar uma distância que o impeça de se confrontar com as suas emoções num estado mais primitivo. Falo de mim através da Natureza e ao falar dela, a minha dor, o meu amor, a minha alegria ou tristeza já vão embrulhadas numa representação que (quem sabe...) melhor me ajudará a lidar com elas...
neste caminho
ladeado de árvores mortas
tanta gente apressada.
I learned that, in the Chinese traditional medicine, the patient never points to his/her body: shows the doctor the simptoms pointing to a puppet. I remembered this about haiku. When one writes an haiku we use Nature as a intermediate to speak about ourselves, like the Chinese patients use the puppet. Using a intermetiate, the joy, the pain, the sorrow and the hapiness, appear already elaborated. And through such an image(maybe...) will be easier to live those emotions and feelings.
on this road
flanked by dead trees
so many people in a hurry.
Lembrei-me disto a propósito do haiku. No haiku reforça-se a sugestão em lugar da descrição. O poeta de haiku usa a Natureza tal como o doente usa o boneco: para falar de si, para desenhar uma distância que o impeça de se confrontar com as suas emoções num estado mais primitivo. Falo de mim através da Natureza e ao falar dela, a minha dor, o meu amor, a minha alegria ou tristeza já vão embrulhadas numa representação que (quem sabe...) melhor me ajudará a lidar com elas...
neste caminho
ladeado de árvores mortas
tanta gente apressada.
I learned that, in the Chinese traditional medicine, the patient never points to his/her body: shows the doctor the simptoms pointing to a puppet. I remembered this about haiku. When one writes an haiku we use Nature as a intermediate to speak about ourselves, like the Chinese patients use the puppet. Using a intermetiate, the joy, the pain, the sorrow and the hapiness, appear already elaborated. And through such an image(maybe...) will be easier to live those emotions and feelings.
on this road
flanked by dead trees
so many people in a hurry.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Haiku e Educação
São inumeráveis os trabalhos de haiku que têm sido desenvolvidos com crianças no âmbito de várias matérias educativas. O ensino da Geografia, Ecologia, Poesia, Literatura, etc. têm-se servido da estética haiku para incentivar os jovens a comprometerem-se na aprendizagem de forma mais activa. Queria só lembrar uma excelente antologia de Haiku produzida pelos alunos do "Externato da Torre" (Lisboa) e o trabalho "O caminho do Haiku" feito por Maria Kodama, viúva do escritor Jorge Luis Borges.
Desta vez o exemplo vem do Brasil. Um professor - João Toloi - ganhou um prémio no Concurso Paulo Freire com os haiku escritos pelos seus alunos. Pode conferir a entrevista com este professor em:
http://www.youtube.com/watch?v=tHCJY0_twbc
Desta vez o exemplo vem do Brasil. Um professor - João Toloi - ganhou um prémio no Concurso Paulo Freire com os haiku escritos pelos seus alunos. Pode conferir a entrevista com este professor em:
http://www.youtube.com/watch?v=tHCJY0_twbc
domingo, 21 de setembro de 2008
Tejo
Correm para mim
as pequenas ondas do Tejo
como poodles felizes.
Run to me
the little waves of the Tagus
like happy poodles.
as pequenas ondas do Tejo
como poodles felizes.
Run to me
the little waves of the Tagus
like happy poodles.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Yao Jingming (Pequim, 1958)
Do livro "Na Barca do Coração" de Casimiro de Brito. respiguei este poema de Yao Jingming, que me evoca algumas "dificuldades" democráticas na China
Na minha pátria
Na minha pátria
a porcelana tem mais de dez mil formas
mas qualquer delas é tão frágil
como a incurável ferida.
Na minha pátria
todas as sedas são pele de água
tecida pela morte do bicho da seda
no inumerável cair das folhas.
Na minha pátria
quase todos têm ao peito um bule de chá
mas o chá tão milenar
mesmo em gesto de alquimia
nunca torna o tempo num reino tranquilo.
Na minha pátria
Na minha pátria
a porcelana tem mais de dez mil formas
mas qualquer delas é tão frágil
como a incurável ferida.
Na minha pátria
todas as sedas são pele de água
tecida pela morte do bicho da seda
no inumerável cair das folhas.
Na minha pátria
quase todos têm ao peito um bule de chá
mas o chá tão milenar
mesmo em gesto de alquimia
nunca torna o tempo num reino tranquilo.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Mais uma contribuição da Melissa (3 anos)
Já tinha publicado textos dela e este acaba de jorrar espontâneamente enquanto brincava sozinha com os seus bonecos de príncipes e princesas...
Abriu a porta do castelo
e toda a Primavera
estava lá.
Boa, Melissa!
Abriu a porta do castelo
e toda a Primavera
estava lá.
Boa, Melissa!
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Espaço Publicitário
Caros amigos:
Como já tinha dito aqui, dia 8 de Outubro na Sociedade de Geografia de Lisboa e no âmbito de um ciclo temático sobre "Portugal ao Encontro do Japão", vou realizar em colaboração com a Leonilda Alfarrobinha um worlkshop de haiku.
Era muito bom que aparecessem para estreitar laços.
Aqui segue o texto introdutório do workshop:
Oficina de Haiku
Dia 8 de Outubro, Sala convívio, 18:00hrs ~19:30hrs – 20 a 30 participantes
Orientada por David Rodrigues e Leonilda Alfarrobinha
A origem da criação poética no Japão perde-se na noite dos tempos, mas diz-se que tem as suas raízes no coração humano. Um dos géneros poéticos tradicionais, o haiku ou haikai, surgiu no séc. XVI, tem sido cultivado até aos nossos dias e salienta-se na literatura universal pela sua forma de expressão breve e concisa. O poeta deve expressar-se em apenas três versos evitando repetições e palavras supérfluas. A Natureza desempenha um papel importante nesta forma de poesia. A simplicidade e a serenidade são valores estéticos essenciais.
Nesta oficina pretende-se dar a conhecer um pouco da história e das características deste género poético, apresentar obras e poemas e motivar os participantes para a escrita de textos originais.
David Rodrigues é professor universitário, investigador e poeta de haiku. O seu livro Estações Sentidas – 111 Haiku, é uma das poucas obras do género publicadas em Portugal.
Leonilda Alfarrobinha, professora de Português e estudante de língua e cultura japonesa, é também poeta de haiku e publicou recentemente o livro, O Respirar das Flores, ilustrado por uma pintora japonesa.
Como já tinha dito aqui, dia 8 de Outubro na Sociedade de Geografia de Lisboa e no âmbito de um ciclo temático sobre "Portugal ao Encontro do Japão", vou realizar em colaboração com a Leonilda Alfarrobinha um worlkshop de haiku.
Era muito bom que aparecessem para estreitar laços.
Aqui segue o texto introdutório do workshop:
Oficina de Haiku
Dia 8 de Outubro, Sala convívio, 18:00hrs ~19:30hrs – 20 a 30 participantes
Orientada por David Rodrigues e Leonilda Alfarrobinha
A origem da criação poética no Japão perde-se na noite dos tempos, mas diz-se que tem as suas raízes no coração humano. Um dos géneros poéticos tradicionais, o haiku ou haikai, surgiu no séc. XVI, tem sido cultivado até aos nossos dias e salienta-se na literatura universal pela sua forma de expressão breve e concisa. O poeta deve expressar-se em apenas três versos evitando repetições e palavras supérfluas. A Natureza desempenha um papel importante nesta forma de poesia. A simplicidade e a serenidade são valores estéticos essenciais.
Nesta oficina pretende-se dar a conhecer um pouco da história e das características deste género poético, apresentar obras e poemas e motivar os participantes para a escrita de textos originais.
David Rodrigues é professor universitário, investigador e poeta de haiku. O seu livro Estações Sentidas – 111 Haiku, é uma das poucas obras do género publicadas em Portugal.
Leonilda Alfarrobinha, professora de Português e estudante de língua e cultura japonesa, é também poeta de haiku e publicou recentemente o livro, O Respirar das Flores, ilustrado por uma pintora japonesa.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Cheguei
Estou de regresso. Quando se escreve num blog não sabemos para quem. Talvez seja muitas vezes mais um organizador interno do que uma comunicação... bom. mas o certo é que cheguei (whatever it means...).
Venho de sentidos a transbordar de realidades surpreendentes e belas. Elas vão lentamente vazar para o teclado.
Claro que visitei a Grande Muralha. Fui com o meu sobrinho que usa cadeira de rodas. E aqui fica:
cadeira de rodas
cruza a Grande Muralha
o vento também
Venho de sentidos a transbordar de realidades surpreendentes e belas. Elas vão lentamente vazar para o teclado.
Claro que visitei a Grande Muralha. Fui com o meu sobrinho que usa cadeira de rodas. E aqui fica:
cadeira de rodas
cruza a Grande Muralha
o vento também
sábado, 6 de setembro de 2008
From China, with love...
Hoje em Beijing tentei comprar poesia chinesa em versão bilingue. Não tive sorte. Mas a poesia está muito presente na forma como o Homem organizou o olhar para a Natureza. Fala-se em raízes chinesas do haiku. É impossível não as crer depois de passear, por exemplo, pelos jardins da Cidade Proibida ou do Palácio de Verão.
livre
o cedro cresce
na cidade proibida.
livre
o cedro cresce
na cidade proibida.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
China
Duas semanas de interrupção no blog por causa de uma viagem à China. A ver se o "Império do Meio" continua a inspirar poesia. Em mim.
domingo, 24 de agosto de 2008
sábado, 23 de agosto de 2008
Outono
Noite de vento
amanhã as ruas
vão ter lixo novo.
Wind through the night
tomorrow the streets
will have new trash.
amanhã as ruas
vão ter lixo novo.
Wind through the night
tomorrow the streets
will have new trash.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Primo Vieira
Pela mão do poeta Casimiro de Brito, tive acesso ao livro “Borboletas Brancas - Haicais” de Primo Vieira livro editado em Goiás em 1967. Deixo convosco 3 poemas deste poeta elegante e simples:
Ponto de Interrogação
Um colo de cisne
na página azul do lago
interroga o dia...
Insónia
Na noite que dorme,
que grilo é esse acordado
dentro da consciência?
O mosteiro
O mosteiro dorme,
rosa noturna de pedra.
que perfume... a paz.
Ponto de Interrogação
Um colo de cisne
na página azul do lago
interroga o dia...
Insónia
Na noite que dorme,
que grilo é esse acordado
dentro da consciência?
O mosteiro
O mosteiro dorme,
rosa noturna de pedra.
que perfume... a paz.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Eclipse
sombra na lua:
é difícil aceitar menos
que lua cheia.
a shadow on the moon:
It's difficult to acept less
than a full moon.
é difícil aceitar menos
que lua cheia.
a shadow on the moon:
It's difficult to acept less
than a full moon.
domingo, 17 de agosto de 2008
Haiku e Jogos Olímpicos
Mais alto. mais longe e mais forte. Os Jogos celebram o "mais". A retórica da participação é marginal...
Com o haiku não se procura o mais (nem mesmo o mais curto); procura-se o suficiente. Procura-se a expressão mais lídima do espírito humano, que tal como a Física, encontra a sua maior complexidade ao lado da maior simplicidade.
O que importa nos jogos é como cada pessoa e equipa resolvem os problemas que se lhes põem. E são normalmente as soluções simples que são bem sucedidas.
Dez anos
para correr dez segundos.
Foi sonho ou pesadelo?
Com o haiku não se procura o mais (nem mesmo o mais curto); procura-se o suficiente. Procura-se a expressão mais lídima do espírito humano, que tal como a Física, encontra a sua maior complexidade ao lado da maior simplicidade.
O que importa nos jogos é como cada pessoa e equipa resolvem os problemas que se lhes põem. E são normalmente as soluções simples que são bem sucedidas.
Dez anos
para correr dez segundos.
Foi sonho ou pesadelo?
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Brasil no Inverno
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
domingo, 10 de agosto de 2008
Italo Calvino e o Haiku
No princípio dos anos 90 do sec. passado o escritor italiano Italo Calvino publicou um livro de grande impacto. Chamava-se "Seis propostas para o próximo milénio". Nele, Calvino propunha seis características que, na literatura e na vida, haviam de cunhar as acções no século XXI. Eram elas:
leveza,
rapidez,
exatidão,
visibilidade,
multiplicidade e
consistência.
Já pensaram como é que estas propostas calçam como uma luva na poesia que nos junta, o haiku?
leveza,
rapidez,
exatidão,
visibilidade,
multiplicidade e
consistência.
Já pensaram como é que estas propostas calçam como uma luva na poesia que nos junta, o haiku?
Ainda os hairóticos
Como já disse aqui, a lista de discussão de haiku brasileira "haiku -l" tem estado a discutir e publicar haiku eróticos. Foi uma descoberta saber que todos os haidjin tinham na gaveta uns haiku "para maiores de 18 anos". A produção é enorme (e eu tenho contribuído) mas queria deixar aqui dois deles de um poeta de que só sei um nome: Pimentel. Vejam lá se eles não têm aquela brejeirice tão latina quando se aborda o erotismo...
Promíscuo xadrês.
O bispo come a rainha
nas barbas do rei !
Em teus olhos, o verde
em tua boca, o vermelho.
Paro ou continuo ?
Promíscuo xadrês.
O bispo come a rainha
nas barbas do rei !
Em teus olhos, o verde
em tua boca, o vermelho.
Paro ou continuo ?
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Ainda há para onde olhar?
Nos últimos dias andei a olhar para os olhares. E encontrei olhares incompreendidos de crianças, olhares tristes e angustiados de idosos, olhares artificiais, "plásticos" e impacientes dos adultos...
Nem os animais escapam: olhares de vidas sem um sentido que não seja carne para o prato ou de uma draconiana disciplina em troca da efémera sobrevivência.
E o olhar para a Natureza? Os bocados aprazíveis e nos fazem suspirar a alma estão tão confinados que parecem cenários.
Há (ainda) olhares e lugares para olhar? Claro que sim... mesmo os vazios e tristes têm uma mensagem mas... cada vez mais o sentido, a história, tem que ser criada por quem vê. Assim rompeu a arte no século XX com o belo e com a imitação.
Nem os animais escapam: olhares de vidas sem um sentido que não seja carne para o prato ou de uma draconiana disciplina em troca da efémera sobrevivência.
E o olhar para a Natureza? Os bocados aprazíveis e nos fazem suspirar a alma estão tão confinados que parecem cenários.
Há (ainda) olhares e lugares para olhar? Claro que sim... mesmo os vazios e tristes têm uma mensagem mas... cada vez mais o sentido, a história, tem que ser criada por quem vê. Assim rompeu a arte no século XX com o belo e com a imitação.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Açores III / Azores III
Do vento, na ilha,
só permanece o momento
em que ele parte.
From the wind, in the island,
only the moment of its departure
remains.
só permanece o momento
em que ele parte.
From the wind, in the island,
only the moment of its departure
remains.
Açores II
Alguém deixou este comentário em forma de haiku. Gosto da inevitabilidade com que o vento das ilhar pertence ao mar...
Vento sobre a terra
Sopra sempre do mar
nas ilhas
Vento sobre a terra
Sopra sempre do mar
nas ilhas
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Açores
Vento sobre o mar
empurra para sul as velas.
No cais, vou com elas.
Wind over the sea
pushes the sails to south.
On the shore, I go with them.
empurra para sul as velas.
No cais, vou com elas.
Wind over the sea
pushes the sails to south.
On the shore, I go with them.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Agua de Verão / Water in Summer
Que água pesada
cai na bacia da fonte!
Tarde de Verão.
What a heavy water
falls in the fountain pond!
Summer afternoon.
cai na bacia da fonte!
Tarde de Verão.
What a heavy water
falls in the fountain pond!
Summer afternoon.
domingo, 27 de julho de 2008
Senhoras e senhores: mais um haijin!
Desta vez é Paulo Roberto Cechetti poeta brasileiro de Niterói que acaba de editar um livro de haikai eróticos. Ainda não lemos este último livro mas aqui ficam dois haikai da sua autoria para abrir o apetite...
Solidão
Essa solidão à mesa,
em pleno almoço:
mastigar a vida!
Motocicleta
Na rua de lua,
um vaga-lume eletrônico:
a motocicleta.
Solidão
Essa solidão à mesa,
em pleno almoço:
mastigar a vida!
Motocicleta
Na rua de lua,
um vaga-lume eletrônico:
a motocicleta.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Fim de semana / Week end
Fim de semana
os passaros também parecem
mais alegres.
Week end
birds seem happier
too.
os passaros também parecem
mais alegres.
Week end
birds seem happier
too.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Vôo do canário / The canary flight
Ao fim do dia
um canário em vôo errante.
Carpe diem!
At twilight
a canary flies wandering.
Carpe diem!
um canário em vôo errante.
Carpe diem!
At twilight
a canary flies wandering.
Carpe diem!
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Urubus
Em Portugal não temos urubus. Numa visita a Florianópolis lembro-me de os ter visto pela primeira vez de perto e ter ficado "grudado" no seu andar rápido aos saltos e no seu andar lento, oscilando o corpo de um lado para o outro, como velhos cheios de artroses. E é em memória destas memórias com sabor brasileiro que aqui vai:
Urubus na praia
tirando sarro dos barcos
parados no mar.
Urubus na praia
tirando sarro dos barcos
parados no mar.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Autoclismo.../ Flushing...
No meio da noite
o turbilhão da descarga.
Fica o silêncio a sarar.
In the middle of the night
the flush of the toillet.
The silence is healing.
o turbilhão da descarga.
Fica o silêncio a sarar.
In the middle of the night
the flush of the toillet.
The silence is healing.
Pardal / Sparrow
Caiu do ninho.
Não havia nada a fazer
e ele não sabia.
Fall from the nest
nothing was possible to do
and he didn't know.
Não havia nada a fazer
e ele não sabia.
Fall from the nest
nothing was possible to do
and he didn't know.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Paulo Franchetti
Já falei algumas vezes de Paulo Franchetti, professor de literatura da Universidade de Campinas (São Paulo) que além de poeta, dá uma contribuição imprescindível para o estudo da poesia haiku em português. Aqui fica a capa do livro "Oeste" que recentemente editou no Brasil (Ateliê Editorial) com todos os haiku traduzidos para japonês por Masuda Goga.
I mentioned a few times in this blog the name of Paulo Franchetti, professor of Literature in the University of Campinas (São Paulo). Besides his important contribution as a poet, he provides an outstanding contribution to the development of haiku in Portuguese. Here the cover of his last book "Oeste" recently edited in Brazil, with Japanese traselations by Masuda Goga.
domingo, 20 de julho de 2008
Haiku Society of America
Dear friends:
The journal "Flogpond" published by the Hailu Society of America will include on its Fall issue a haiku I wrote:
Sunset upon the lake
the babble of the day
echoes in me alone.
(I hope you like it too...)
The journal "Flogpond" published by the Hailu Society of America will include on its Fall issue a haiku I wrote:
Sunset upon the lake
the babble of the day
echoes in me alone.
(I hope you like it too...)
sábado, 19 de julho de 2008
Na praia / In the beach
Borboleta branca
atordoada pelas cores
dos guarda-sóis.
White butterfly
dizzy by the colors
of the umbrellas.
atordoada pelas cores
dos guarda-sóis.
White butterfly
dizzy by the colors
of the umbrellas.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Coração...de cristal / A heart made of cristal...
Da janela aberta
o coração de cristal
semeia arco-iris.
From the open window
the cristal heart
seeds rainbows.
o coração de cristal
semeia arco-iris.
From the open window
the cristal heart
seeds rainbows.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Basho
.jpg)
Acabo de receber este livro "Basho: The Complete Haiku" que é um livro lindíssimo. Para além dos 1012 haiku que se atribuem a Basho, este livro tem extensas notas sobre cada um destes haiku. 430 páginas de puro deleite para os amantes de haiku.
I just received this book :"Basho: the complete haiku". It´s a beautiful book. Besides the 1012 haiku written by Basho, there are more that 200 pages of notes about each one of the poems. It's 430 pages of pure delight!
domingo, 13 de julho de 2008
Penas / Feathers
Pardal à chuva
arrepiei-me ao vê-lo.
(Onde estão as minhas penas?)
Sparrow in the rain
chills me when I see it.
(Where are my feathers?)
arrepiei-me ao vê-lo.
(Onde estão as minhas penas?)
Sparrow in the rain
chills me when I see it.
(Where are my feathers?)
sábado, 12 de julho de 2008
Hoje / Today
Hoje vi o passado
quando olhei para a poça
que tinha saltado.
Today I saw the past
when I looked the puddle
I had just jumped.
quando olhei para a poça
que tinha saltado.
Today I saw the past
when I looked the puddle
I had just jumped.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
One haiku a day, keeps the doctor away...
Dicionário ilustrado
o novo da minha infância
já está no museu.
Illustrated dictionary
the news of my youth
is alredy in the museum.
o novo da minha infância
já está no museu.
Illustrated dictionary
the news of my youth
is alredy in the museum.
terça-feira, 8 de julho de 2008
"Burajiru" de Nelson Savioli (Ed. Qualitymark), 2007
Tenho na mão um livro de haicais do poeta brasileiro Nelson Savioli. É um livro de formato pequeno mas cuja dimensão engana: é pequeno mas trabalhado como uma gema.
Escreve uma introdução onde para além das características mais comuns diz que o haicai deve ter Kigo (termo de estação), sabi (solidão e tranquilidade), wabi ( beleza das coisas simples) e karumi (leveza).
Depois, publica os seus hacais tendo 40 páginas (!) de notas sobre cada um deles! Depois de dois apêndices "Haicai no mundo corporativo" e "O Português no Cotidiano japonês", tem uma competente lista de bibliografia, indice remissivo e ainda (last but not least) agradecimentos.
Estão a ver o que eu dizia do livro: pequeno mas arrumado como um ninho de sabiá...
Parabéns Nelson!
O mais importante (?). Dois poemas do livro:
As rugas sumiram
do rosto do anfitrião.
Chegou a Primavera!
Geada na serra
Na borda do copo brilham
nossas digitais.
Escreve uma introdução onde para além das características mais comuns diz que o haicai deve ter Kigo (termo de estação), sabi (solidão e tranquilidade), wabi ( beleza das coisas simples) e karumi (leveza).
Depois, publica os seus hacais tendo 40 páginas (!) de notas sobre cada um deles! Depois de dois apêndices "Haicai no mundo corporativo" e "O Português no Cotidiano japonês", tem uma competente lista de bibliografia, indice remissivo e ainda (last but not least) agradecimentos.
Estão a ver o que eu dizia do livro: pequeno mas arrumado como um ninho de sabiá...
Parabéns Nelson!
O mais importante (?). Dois poemas do livro:
As rugas sumiram
do rosto do anfitrião.
Chegou a Primavera!
Geada na serra
Na borda do copo brilham
nossas digitais.
Futebol / Football
A vida não tem
prolongamento: passa logo
aos penaltis.
Life doesn't have
extra time: goes directely
to penalties.
prolongamento: passa logo
aos penaltis.
Life doesn't have
extra time: goes directely
to penalties.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Encontros...
Está a desenvolver-se no grupo de discussão da internet "haiku - l" uma interessante discussão sobre as inspirações comuns que muitos poetas têm quando compoêm haiku. Tem-se argumentado que o haiku tendo uma temática definida e uma extensão muito curta é mais atreito a estas "inspirações comuns" que por vezes podem ser incómodas.
Tenho um exemplo pessoal para contar.
Publiquei no meu livro "Estações Sentidas: 111 haiku" o seguinte haiku:
Nas folhas de Outono
cai cavo e pesado o ouriço
sorri a castanha.
O agora descobri que Albano Matins publicou antes este:
Castanha
é a cor do sorriso
do ouriço.
Vamos só dizer que estou em boa companhia (espero que Albano Martins também esteja...)
Tenho um exemplo pessoal para contar.
Publiquei no meu livro "Estações Sentidas: 111 haiku" o seguinte haiku:
Nas folhas de Outono
cai cavo e pesado o ouriço
sorri a castanha.
O agora descobri que Albano Matins publicou antes este:
Castanha
é a cor do sorriso
do ouriço.
Vamos só dizer que estou em boa companhia (espero que Albano Martins também esteja...)
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Um convite /An invitation
Não tem muito a ver com o Haiku mas... tem a ver comigo. O Dixie Gang é uma banda de Jazz tradicional da qual eu faço parte, como pianista. Nos dias 11 e 12 o Dixie Gang convidou a Paula Oliveira para cantar connosco e vamos dar dois concertos no Hot Clube em Lisboa. Todos são cordialmente convidados!
It's not connected with haiku but it is connected with me. Dixie Gang is a band of traditional jazz that I belong as pianist. Next 11th and 12th, Dixie Gang will invite the jazz singer Paula Oliveira and we give two concerts in the Hot Clube in Lisbon. Everybody is welcome!
It's not connected with haiku but it is connected with me. Dixie Gang is a band of traditional jazz that I belong as pianist. Next 11th and 12th, Dixie Gang will invite the jazz singer Paula Oliveira and we give two concerts in the Hot Clube in Lisbon. Everybody is welcome!
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Buraco azul /Blue hole
Houve uma árvore
mas só restou este céu
como um buraco azul
There was a tree
but only this sky remained
as a blue hole.
mas só restou este céu
como um buraco azul
There was a tree
but only this sky remained
as a blue hole.
Macieira
Tanto me segurou
e só agora a macieira
parece cansada.
Only now,
after holding me for so long
the appletree looks tierd.
e só agora a macieira
parece cansada.
Only now,
after holding me for so long
the appletree looks tierd.
Mahler
Mahler. E de repente,
uma flor de jacarandá
no pára-brisas
Mahler. And suddenly
a jacarandá flower
on the windscreen
uma flor de jacarandá
no pára-brisas
Mahler. And suddenly
a jacarandá flower
on the windscreen
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Um haiku do Mestre Goga
Planto hoje uma muda,
amanhã, duas ou mais,
sonhando com a mata.
H. Masuda Goga
amanhã, duas ou mais,
sonhando com a mata.
H. Masuda Goga
domingo, 29 de junho de 2008
sábado, 28 de junho de 2008
O Haiku é sempre no presente?
O poeta e linguista Paulo Franchetti, lançou uma dúvida numa lista de discussão sobre haiku (haikai-l) se o haiku deveria sempre ter os verbos no presente. Mandei para a lista esta contribuição que compartilho com os meus leitores:~
Paulo e amigos do haiku –l:
Fico centrado na pergunta (ao mesmo tempo estimulante e sapiente) de PauloFranchetti, e segue a minha contribuição:
1. Na sua exacta dimensão temporal, o haiku nunca é presente: é sempreuma reminiscência de um passado. Mesmo que tivessemos um papel e uma canetasempre à mão...O haiku tem sempre algo de “arqueologia de sentimento e deemoções”. Claro que para lhe dar mais verosimilhança o fazemos desfilar numcenário presente mas um presente que à semelhança do tempo verbal se deveriachamar “pretérito presente”.
2. Parece-me que o “pathos” do haikai é o de “um” momento.Pessoalmente é-me irrelevante se foi um momento passado ou se simula ser(porque nunca é) imediato.
3. O processo de “arquivamento” destas emoções, (tal como a sua“reactivação”) contextualiza-as e necessariamente lhes retira a algumaespontaneidade (vemos isto bem nas emendas que fazemos aos nossos haikais).Eu até já escrevi haikai de emoções que nunca senti e só imaginei...
Um abraço para todos.
Paulo e amigos do haiku –l:
Fico centrado na pergunta (ao mesmo tempo estimulante e sapiente) de PauloFranchetti, e segue a minha contribuição:
1. Na sua exacta dimensão temporal, o haiku nunca é presente: é sempreuma reminiscência de um passado. Mesmo que tivessemos um papel e uma canetasempre à mão...O haiku tem sempre algo de “arqueologia de sentimento e deemoções”. Claro que para lhe dar mais verosimilhança o fazemos desfilar numcenário presente mas um presente que à semelhança do tempo verbal se deveriachamar “pretérito presente”.
2. Parece-me que o “pathos” do haikai é o de “um” momento.Pessoalmente é-me irrelevante se foi um momento passado ou se simula ser(porque nunca é) imediato.
3. O processo de “arquivamento” destas emoções, (tal como a sua“reactivação”) contextualiza-as e necessariamente lhes retira a algumaespontaneidade (vemos isto bem nas emendas que fazemos aos nossos haikais).Eu até já escrevi haikai de emoções que nunca senti e só imaginei...
Um abraço para todos.
A inspiração de Leonilda Alfarrobinha no solstício...
solstício de Verão -
uma lua afogueada
espreitando a festa
uma lua afogueada
espreitando a festa
quarta-feira, 25 de junho de 2008
segunda-feira, 23 de junho de 2008
domingo, 22 de junho de 2008
Ontem/ Yesterday
A luz sobe
com a poesia e a música
solstício de Verão.
Nenhuma noite
tem mais claridade que esta
solstício de Verão.
com a poesia e a música
solstício de Verão.
Nenhuma noite
tem mais claridade que esta
solstício de Verão.
Digam lá se gostam.../ Say if you like...
Comprei algumas gravuras japonesas muito bonitas com cenas de teatro No. Podem ver acima uma das tais... (Para que serviriam elas se mais ninguém pudesse as pudesse ver?)
E a descrição da gravura em inglês:
This woodblcok print is a one of scenery from noh done by well known artist of Noh,Kougyo Tsukioka dated Taisho 14(1925).It is done so beautifully in fill colors with Kougyo's signature and stamp on the bottom.
sábado, 21 de junho de 2008
Solstício
Hoje é o dia
em que a luz entra mais
na noite.
Hoje os pássaros
cantam mais e o sono
vem mais tarde.
Há vida de noite
mas a minha é de dia
hoje tenho um bónus.
Abençoada noite!
já estava cansado
de tanto sol.
em que a luz entra mais
na noite.
Hoje os pássaros
cantam mais e o sono
vem mais tarde.
Há vida de noite
mas a minha é de dia
hoje tenho um bónus.
Abençoada noite!
já estava cansado
de tanto sol.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
No lento trânsito... / In the traffic jam...
Um sorriso!!!
Alguém atende um telemóvel
na fila do trânsito.
A smile!!!
Someone answers a celular
in the traffic jam.
Alguém atende um telemóvel
na fila do trânsito.
A smile!!!
Someone answers a celular
in the traffic jam.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Convite e texto de Casimiro Vaz
terça-feira, 17 de junho de 2008
O de hoje... / Today's special
Na areia as gaivotas
e não penso senão nelas
até a noite chegar.
Seagulls in the sand
and I only think on them
till night comes.
e não penso senão nelas
até a noite chegar.
Seagulls in the sand
and I only think on them
till night comes.
Uma história moral
Recolhi da internet e achei que valia a pena ler:
Dois lobos
Certa noite um velho Cherokee falou ao seu neto sobre uma batalha que se trava no interior das pessoas. Disse ele, “Meu filho, a batalha é entre dois ‘lobos’ dentro de cada um de nós.
Um é o Mal. É raiva, inveja, ciúme, remorsos, cobiça, arrogância, auto comiseração, culpa, ressentimento, complexo de inferioridade, mentira, falsa modéstia, e egoísmo.
O outro é o Bem. É alegria, paz, amor, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e confiança.”
O neto pensou um minuto e perguntou ao avô: “Qual dos lobos ganha?”O velho Cherokee respondeu simplesmente, “aquele que tu alimentas.”
Dois lobos
Certa noite um velho Cherokee falou ao seu neto sobre uma batalha que se trava no interior das pessoas. Disse ele, “Meu filho, a batalha é entre dois ‘lobos’ dentro de cada um de nós.
Um é o Mal. É raiva, inveja, ciúme, remorsos, cobiça, arrogância, auto comiseração, culpa, ressentimento, complexo de inferioridade, mentira, falsa modéstia, e egoísmo.
O outro é o Bem. É alegria, paz, amor, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e confiança.”
O neto pensou um minuto e perguntou ao avô: “Qual dos lobos ganha?”O velho Cherokee respondeu simplesmente, “aquele que tu alimentas.”
domingo, 15 de junho de 2008
Folha Verde / Geen Leaf
Cai da árvore
uma folha ainda verde.
- Tenho de ir, é tarde!
A leaf still green
falls from the tree.
- It's late, I must go!
uma folha ainda verde.
- Tenho de ir, é tarde!
A leaf still green
falls from the tree.
- It's late, I must go!
Alentejo
Só se ouve
nesta manhã de Primavera
a brisa nas pétalas.
The only sound
in this Spring morning
is the breeze through the petals
nesta manhã de Primavera
a brisa nas pétalas.
The only sound
in this Spring morning
is the breeze through the petals
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Junho / June
No regresso a casa
o carro parece cansado:
tardinha de Junho.
Returning home
my car seems tired:
June's twilight.
o carro parece cansado:
tardinha de Junho.
Returning home
my car seems tired:
June's twilight.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Filosofices VI (Depois de /After Picasso)
Tanto tempo leva
para ficarmos jovens
que só lá chegamos velhos.
It takes so long
to be young
that we only get there when we are old.
para ficarmos jovens
que só lá chegamos velhos.
It takes so long
to be young
that we only get there when we are old.
Filosofices V
Suspeito que tudo
seja tão simples,
que a forma como queremos entender
já mostra que não podemos entender nada.
seja tão simples,
que a forma como queremos entender
já mostra que não podemos entender nada.
terça-feira, 10 de junho de 2008
segunda-feira, 9 de junho de 2008
E agora em Japonês...
As pedras das calçadas 歩道の石
como os estilhaços de sonhos ばらまかれた
deixados para trás. 夢の破片
como os estilhaços de sonhos ばらまかれた
deixados para trás. 夢の破片
domingo, 8 de junho de 2008
sábado, 7 de junho de 2008
Entre os Sessenta /Among the Sixty
A revista japonesa "Ginyu" publicou o que considera os melhores 60 haiku de 2007. Entre estes estava um que eu escrevi. Aí vai ele:
Pedras das calçadas
como estilhaços de sonhos
deixados para trás.
The Japanese Journal "Ginyu" published the best 60 haiku of 2007 on its best judgement. Among these 60, one that I wrote:
Stones of sidewalk:
like fragments of dreams
left behind.
Pedras das calçadas
como estilhaços de sonhos
deixados para trás.
The Japanese Journal "Ginyu" published the best 60 haiku of 2007 on its best judgement. Among these 60, one that I wrote:
Stones of sidewalk:
like fragments of dreams
left behind.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Avião II / Plain II
O sol piscou
ah, é só a sombra
de um avião.
The sun blincked
ah, is only the shadow
of a plain.
ah, é só a sombra
de um avião.
The sun blincked
ah, is only the shadow
of a plain.
Um avião / A plain
Pelo chão de erva
corre uma sombra
um avião que passa.
Through the grass
runs a shadow
a plain is passing.
corre uma sombra
um avião que passa.
Through the grass
runs a shadow
a plain is passing.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
É ou não é?
Isto não é um haiku:
e daí?
(é porque não fala de caqui?)
Mas este é um haiku!
E porquê?
Fala de Inverno, tem kigô!
Quando o haiku
te tentar limitar
manda-o mas é passear!
Pode não ter métrica
o haiku, nem natureza.
Mas sem poesia? Oh que tristeza...
Queria falar de ti
mas só três versos não chegam.
Fico contigo ou com o haiku?
Talto olhei para os kigos
pró presente e se a métrica acertava
que nem sei do que o haiku falava.
É ou não é?
Eu cá não sei...
Mas se mexe contigo... é um haiku.
e daí?
(é porque não fala de caqui?)
Mas este é um haiku!
E porquê?
Fala de Inverno, tem kigô!
Quando o haiku
te tentar limitar
manda-o mas é passear!
Pode não ter métrica
o haiku, nem natureza.
Mas sem poesia? Oh que tristeza...
Queria falar de ti
mas só três versos não chegam.
Fico contigo ou com o haiku?
Talto olhei para os kigos
pró presente e se a métrica acertava
que nem sei do que o haiku falava.
É ou não é?
Eu cá não sei...
Mas se mexe contigo... é um haiku.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Mestre Goga
Mestre Goga, um dos expoentes cimeiros da poesia Haiku no Brasil, faleceu há dias com 97 anos. Este poeta deu uma incansável e inestimável contribuição para a divulgação do Haiku em português. Deixo aqui a minha simples homenagem:
Tinha-me esquecido
que deste caqui só fica
a lembrança.
Mestre Goga, one of the most important haiku poets of Brazil, died some days ago with 97 years. This poet provided an outstanding contribution for the dissemination of haiku poetry in Portuguese. Here my humble tribute:
I had forgotten
that from this persimmon
only memory remains.
Tinha-me esquecido
que deste caqui só fica
a lembrança.
Mestre Goga, one of the most important haiku poets of Brazil, died some days ago with 97 years. This poet provided an outstanding contribution for the dissemination of haiku poetry in Portuguese. Here my humble tribute:
I had forgotten
that from this persimmon
only memory remains.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Mariposa / Butterfly
Aquela borboleta
parada ou a voar
nunca perde tempo.
That butterfly
quiet or flying
never waste time.
parada ou a voar
nunca perde tempo.
That butterfly
quiet or flying
never waste time.
Musgo / Moss
Musgo de Primavera
o que sobra da voz
de encontro à pedra.
Moss in Spring:
what is left from the voice
against the stone.
o que sobra da voz
de encontro à pedra.
Moss in Spring:
what is left from the voice
against the stone.
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